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Quando assumimos a Fundação Municipal de Educação de Tubarão, no final de outubro de 2018, portanto antes da pandemia de covid-19, encontramos outro diagnóstico, no mínimo controverso, que derruba mitos, falácias e barganhas que impedem a educação de melhorar, mesmo com aumento significativo de recursos:
1) Os investimentos subiram até 32% (a lei exige 25%), mas a aprendizagem despencou no Ideb 2017 e em 2019 havia 1.440 crianças na fila para creches e elevada evasão escolar. Se investia muito para ensinar pouco e para poucos.
Tubarão reproduzia o Brasil, que investe na educação (6,3% do PIB) mais do que os países ricos da OCDE (5,8%), mas os estudantes brasileiros estão no fim da fila do Pisa 2022 (programa internacional de avaliação dos estudantes) e do Pirls 2023 (teste global que mede a habilidade dos estudantes com a leitura).
O IDados revelou onde o investimento na Educação impacta: “Entre 2007 e 2016, em que pese a grave crise econômica, o investimento dos estados em Educação subiu, em média, 32%, e dos municípios, 66%. Melhoraram a infraestrutura e os salários, não a aprendizagem”.
2) Hábitos fundamentais foram abandonados pela maioria das famílias e das escolas, o que torna os relacionamentos interpessoais e os ambientes tóxicos e improdutivos.
Esta crise na educação foi agravada pela pandemia de covid-19, que fechou as escolas, enclausurou as crianças em casa e agravou a pobreza. Sem internet e ajuda das famílias, muitos estudantes não aprenderam o que deveriam, esqueceram o que tinham aprendido e tiveram a saúde emocional abalada.
Neste contexto totalmente adverso, a educação municipal de Tubarão melhorou em todos os indicadores:
a) Conteve as sucessivas quedas na aprendizagem e cresceu no Ideb 2021. Tanto no ensino fundamental I (apenas 26% dos munícipios brasileiros cresceram nesta etapa) como no ensino fundamental II (apenas 15% cresceram);
b) Incluiu, com qualidade, todas as crianças no sistema educacional, inclusive as com deficiência. Saltou de 4.300 estudantes, em 2017, para 9.000, em 2022. Em contraste, 8,5 milhões de brasileiros “nunca pisaram na escola ou têm menos de um ano de estudo”, segundo o Pnad 2022.
c) Zerou a fila de crianças para creche desde 2019. O Brasil chegou a 38,7%, somente em 2023, segundo o Pnad;
d) Diminuiu a evasão escolar, de 122 estudantes em 2019 (antes da pandemia), para 4, no ano de 2021 (no retorno das aulas presenciais). No Brasil, subiu de 1,4 milhão de estudantes, antes da pandemia, para 5,5 milhões, segundo o Unicef.
Significa que Tubarão qualificou o investimento na Educação por meio do projeto “Sucesso na escola, na Vida e no Trabalho”, que resgatou estudantes, aprendizagens e hábitos fundamentais.
Promoveu a inclusão digital, valorizou o magistério e reformou 48 das 53 escolas.
Tubarão, agora, ensina muito e para todos.