Quarta-feira, 13 de maio de 2026
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Artigo: Ancestralidade

Felipe Felisbino - Professor

19/04/2024 06:00|Por Redação

Pois é, “índio velho” – expressão do Sul que representa amizade e faz referência a uma pessoa especial. 

Ancestralidade e o ângulo do observador. 

Pois bem, você consegue relatar a sua história ancestral, você sabe e mantém a memória dos seus avós, pais, tios… e analisa como eles influenciam sua vida?  

Seus filhos sabem da sua origem?

A ancestralidade é fonte de vida, sabedoria, identidade, pertencimento e criatividade, é o fio que tece passado, presente e futuro, formando uma teia de relações que conecta humanidades.

Se eu não cultivo a minha ancestralidade, como valorizar o ÍNDIO? Ancestralidade é a memória que transcende espaço e tempo para recriar futuros possíveis.

É saudável pensar nas pessoas que vieram antes de nós. Dessa forma entendemos que há algo dentro de nós muito maior, há um caminho que já vinha sendo traçado de várias formas. 

A colonização, a escravização e o racismo pandêmico nos dispersaram da nossa localização ancestral indígena, bugre, africana... o resultado deste processo perverso fragmentou a nossa identidade histórica, cultural e psicológica.

Esses contextos nos colocam o desafio de resgatar a nossa humanidade, identidade e o sentimento de pertencimento em conexão com a nossa ancestralidade – o índio, por exemplo. 

Tudo isso vai muito além da estética do cocar. São dimensões ética e política, na perspectiva da libertação cultural do preconceito social. 

O cocar indígena é uma peça repleta de significados culturais, espirituais e sociais, profundamente enraizada nas tradições dos povos indígenas. 

Cada cocar é único, refletindo as particularidades da tribo e do indivíduo que o usa: Status Social e Liderança; Identidade Tribal; Conquistas Pessoais; Conexão Espiritual e Simbolismo; Respeito pela Natureza; Arte e Expressão, é um símbolo rico em significados, representando a dignidade, a história e a espiritualidade dos povos indígenas, não sendo apenas um adorno estético.

O silenciamento e a negação da sociedade sobre os impactos do racismo étnico é incômodo, sem dúvida, e são múltiplas agressões e violências na intersecção raça-etnia-classe, que deve movimentar o pensamento coletivo na busca por respostas - para curar as feridas da nossa sociedade contemporânea que tanto evoluiu, porém, replica os absurdos do seu passado, um encarceramento mental. 

É urgente a libertação do preconceito étnico que aprisiona nossas mentes, abrindo espaço para uma consciência capaz de CRIAR e criticar IDEIAS, TEORIAS e PRÁTICAS, voltadas à CURA DO SER, da humanidade, convivendo com todas as expressões históricas, etnias fundantes da nação brasileira, repensando os desdobramentos contemporâneos.

Viva o ÍNDIO, não somente o seu dia.

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