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MATHEUS MADEIRA

12/09/2025 06:00

O que foi sem nunca ter sido

Parte da classe política brasileira ficou chocada quando Tarcísio de Freitas resolveu atacar o STF – e, por consequência, o Poder Judiciário – no último domingo, feriado da Independência. Será que deveriam? O governador de São Paulo era até então tratado como forte concorrente à presidência da República por algo que tenta se chamar de “bolsonarismo moderado”. Forte ele ainda é, mas ficou claro que não dá para conciliar moderação e bolsonarismo na mesma frase. A extrema direita é, no mundo todo, dotada de um discurso violento. Também como em vários países, esse radicalismo engoliu a direita democrática. Defender livre mercado com respeito à democracia se tornou um pecado imperdoável e muita gente se submeteu a isso para sobreviver politicamente. Tarcísio de Freitas é o resultado desse processo histórico e global. Não tem brilho próprio e, por isso mesmo, faz o que seus superiores ordenam. Que ninguém diga que não sabia, porque Tarcísio está para a política nacional como a Viúva Porcina estava para Roque Santeiro: foi sem nunca ter sido.

“O ministro do PT”
A democracia brasileira é jovem e estamos lidando com muitas situações novas e inusitadas. Com o tempo dá para perceber que os ministros do STF não são necessariamente fiéis aos presidentes que os indicaram. O exemplo da semana é Luiz Fux, que fez um contorcionismo jurídico invejável pra defender a impunidade a quem tentou um golpe de Estado – sem chegar ao ponto de considerá-los inocentes. Vamos lembrar que Fux foi indicado por Lula.

“In Fux we trust”
Também é possível recordar que Fux era tratado como uma espécie de “ministro de confiança” por Sérgio Moro e Deltan Dallagnol no escândalo da Vaza Jato. “In Fux we trust” (“Em Fux nós confiamos”), chegou a escrever o ex-procurador, sem fazer ideia que sua inconfidência se tornaria um clássico que estará em livros de história antes do que podemos imaginar.

Aliás
Além de bem cafona, a troca de frases em inglês entre um juiz e uma parte de um processo revelam não apenas uma relação meio indevida, mas também um servilismo que parece fazer eco com as imagens do domingo passado, o dia da nossa Independência. Para quem já esqueceu, a extrema direita estendeu um bandeirão dos Estados Unidos na Avenida Paulista. 

Diário do Sul
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