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MATHEUS MADEIRA

28/08/2026 06:00

Toda eleição tem o seu Padre Kelmon

As primeiras semanas de disputa pelos governos estaduais e pela presidência da República tiveram uma pauta em comum: a ausência de candidatos em debates. Não é um assunto novo: líderes nas pesquisas invariavelmente consideram a possibilidade de evitar um palco onde tendem a ser alvos de ataques de tudo quanto é lado. Mas há ao menos dois novos elementos nesse processo. O primeiro é a recusa de candidatos que não estão liderando os levantamentos, como Flávio Bolsonaro. O segundo certamente tem a ver com o primeiro. Com o crescimento da lógica algorítmica das redes sociais, o debate é menos um espaço de grandes debates e mais uma oportunidade perfeita para a lacração. Esqueça os lendários confrontos entre Leonel Brizola e Paulo Maluf sobre “filhotes da ditadura”. Parece certo que toda eleição tem o seu Padre Kelmon, aquela figura escalada mais como alívio cômico do que como postulante a cargo público. O debate presidencial da Band, na semana passada, acabou reduzido a isso: um concurso de coadjuvantes em busca de preciosos segundos que os protagonistas não parecem dispostos a lhes oferecer. Ou regulamentamos esse instrumento tão importante ou estaremos, em breve, fadados a lembrar com saudade de quando o Datena arremessou uma cadeira contra Pablo Marçal.

Escala 6x1
A proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1 recebeu parecer favorável do senador Omar Aziz (PSD-AM) e deve ser votada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado nos próximos dias. A rejeição às emendas sinaliza a intenção de manter o texto original aprovado na Câmara dos Deputados, o que acelera o trâmite. O fim do périplo parece próximo.

Utopia real
O debate ganhou muita força através do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado por Rick Souza, hoje vereador no Rio de Janeiro pelo PSOL. O atendente de farmácia desabafou sobre a falta de tempo para lazer e atividades domésticas e o debate “viralizou”. Invadiu a pauta do Congresso e é defendido até por nomes da “nova direita”, como o senador Cleitinho, que concorre ao governo de Minas Gerais como favorito pelo Republicanos.

Denúncias
Santa Catarina registrou 170 denúncias de possíveis irregularidades na propaganda eleitoral desde o início da campanha para as Eleições 2026, em 16 de agosto. Os dados foram contabilizados até terça-feira pelo aplicativo Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral destinada ao recebimento de relatos feitos pelos eleitores.

Diário do Sul
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