A gente se acostumou com a imagem que contrapõe Alexandre de Moraes e o clã Bolsonaro. O primeiro, ministro do Supremo, comandou o julgamento que condenou o ex-presidente à prisão por liderar um atentado golpista que teve sua eclosão em 8 de janeiro de 2023. Mas a história fez com que rapidamente todos se vissem novamente unidos – e novamente porque Moraes chegou ao Supremo por indicação de Michel Temer, o ex-presidente que nunca recusou apoio ao bolsonarismo. O escândalo Master tem inúmeras vertentes, mas parece haver duas especialmente chocantes: o contrato milionário com o escritório da esposa de Moraes; e o financiamento ainda mais vultuoso e suspeito do filme “Dark Horse”, uma suposta obra de arte sobre a vida de Jair, o patriarca de uma árvore genealógica de políticos. Em ambos os casos, o problema é o que vem depois dos repasses milionários. Alexandre de Moraes é acusado de operar a favor de Vorcaro dentro do Judiciário; Flávio é suspeito de desviar os recursos da película para outros fins ainda menos nobres, como sustentar seu irmão Eduardo nos Estados Unidos para pedir tarifaço contra o Brasil. Tudo precisa ser muito bem investigado, com amplo direito de defesa a todos. Mas é curioso que o feito mais incrível de Daniel Vorcaro talvez tenha sido reunir dois antagonistas da história recente brasileira.
Tudo é polarizável?
Todo mundo viu, na semana passada, um vídeo chocante. Uma mulher se aproxima de dois policiais pedindo calma em uma abordagem policial e é recebida com um chute nas pernas. Depois de cair no chão, recebe mais golpes e é enfiada em um camburão de maneira brutal. Os agentes da cena provavelmente não faziam ideia de que estavam sendo filmados. Será que essa é mesmo uma situação para encaixar na disputa partidária?
O papel da PM
Não se trata de julgar a Polícia Militar, evidentemente. Fica claro que é um caso isolado e que deve ser tratado e investigado dessa forma. Mas por que algum grupo político aplaudiria um espetáculo de tamanha brutalidade? De falta de bom senso? De desrespeito ao princípio do uso progressivo da força? Isso faz algum sentido? O fato de a mulher agredida ser filiada ao PT justifica tudo?
É a cultura
Santa Catarina registra números alarmantes de feminicídios e de toda forma de violência contra as mulheres. E parte da explicação talvez passe pela existência orgânica de um grupo político que se presta a aplaudir essa cena como se fosse parte de uma disputa ideológica real. Tanto que há deputados que propõem uma moção de aplausos a essa indignidade por natureza. E no Instagram há quem aplauda.