O STF entrou de vez na campanha eleitoral brasileira. Alexandre de Moraes tem, é claro, de explicar sua relação com Daniel Vorcaro e as mensagens tratando de ações do Banco Master no Supremo. André Mendonça também resolveu nadar no pântano ao fazer divulgação seletiva de dados de investigação, mirando em adversários e preservando aliados de maneira clara. A crise do Judiciário está posta. E a solução está na classe política. Obviamente é o momento de o Congresso Nacional discutir reformas no sistema. Debater a adoção de medidas como a instituição de mandatos na corte e outras regulações para impedir que público e privado se misturem de tal forma. Mas para esse debate é preciso eleger deputados e senadores responsáveis. Menos tiktokers e mais estadistas. Menos focados em likes e com mais visão de futuro da nação. Será que estamos preparados para essa conversa?
Uma disputa incerta
Em quase todos os estados do Brasil o cenário é parecido: as pesquisas para as duas cadeiras no Senado que estão em disputa em cada unidade da federação apresentam múltiplos empates técnicos e é difícil que algum candidato desponte com mais de 20%. É uma disputa historicamente muito incerta.
Relembrando
Vamos relembrar as últimas vezes que Santa Catarina escolheu dois senadores ao mesmo tempo. Em 2002, Ideli Salvatti (PT) e Leonel Pavan (PSDB) foram escolhidos sem ter o favoritismo nem mesmo em suas próprias chapas; em 2010, Luiz Henrique (MDB) disparou na frente e foi decisivo para que Paulo Bauer (PSDB) superasse Cláudio Vignatti (PT)
A última vez
Em 2018, Lucas Esmeraldino (PSL) tinha tudo para ser eleito pela “Onda 17”, mas foi derrotado por ter cometido um erro primário: não lançar um segundo nome na sua chapa “bolsonarista raiz”. O resultado: parte de seus eleitores deu o segundo voto a Esperidião Amin (PP); outra a Jorginho Mello (PL). E os dois acabaram o ultrapassando.
Resumo
A conclusão é de que o fato de o eleitor dar dois votos ao mesmo cargo torna essa corrida ainda mais imprevisível. O cidadão tem um candidato de preferência, mas acaba sendo instado a votar também em outro nome, que é concorrente direto do seu escolhido preferencial. Por isso as pesquisas têm tanta dificuldade de captar tendências.