Mesmo em condições desiguais em relação aos homens, elas romperam os limites impostos pela sociedade e revolucionaram a ciência no mundo. A potência feminina neste quesito é uma das conquistas lembradas no Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje. Mestre em saúde coletiva, a cientista tubaronense Fabiana Schuelter Trevisol é um destes destaques.
Atualmente, Fabiana é professora permanente do programa de pós-graduação em Ciências da Saúde da UniSul e coordenadora do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Para ela, sua maior conquista como mulher cientista é a produção de conhecimento em prol da sociedade. “Costumamos dizer que tudo que um cientista quer é ‘salvar o mundo’. Ao longo dos últimos 12 anos, tenho produzido artigos científicos com impacto social e na área da saúde. Fiz pesquisas sobre vários temas e recentemente vários trabalhos envolvendo a covid-19”, destaca.
Para ela, hoje o maior desafio enquanto mulher é equilibrar múltiplas funções. “A sociedade exige de nós um ideal que nem sempre é possível. Ainda há desigualdade em alguns aspectos. O ambiente científico é bastante competitivo e, por vezes, não podemos deixar a produção científica cair, então, sacrificamos esse tempo, revezando a amamentação e a atuação profissional, mesmo que em casa. Por outro lado, somos criticadas por não nos dedicarmos integralmente ao cuidado dos filhos. Então, não conseguimos nunca atingir o ideal, e carregamos muita culpa. Nem sempre as mulheres seguem a carreira. Talvez essa seja uma explicação por ainda sermos minoria na ciência”, relata.
Desafios em sua trajetória
Para a cientista, avança-se em sociedade quando se fala em empoderamento feminino. “O que vale é a sua satisfação, a alegria e não o que a sociedade quer”, reflete a cientista. Fabiana diz que a maior dificuldade que já enfrentou como mulher na ciência e no meio acadêmico foi a discriminação. “Comigo foram coisas pontuais, mas já sofri assédio moral. Ao longo da carreira tenho me sentido muito respeitada. Mas é algo a ser construído com conhecimento. Isso ninguém te tira”, destaca.
Médica traz exemplo para nova geração
Neste dia 8 de março, data que se comemora em muitos países o Dia Internacional da Mulher, destaca-se, como personalidade, em Tubarão, a hematologista e hemoterapeuta do Complexo Médico Provida, Maria Zélia Baldessar.
Aos 59 anos, além de médica, é também filha, esposa, mãe, professora e há 13 anos coordena o curso de Medicina da Unisul, entre tantas outras atividades que exerce em seu cotidiano. “Escolhi a medicina, sem dúvida, pela influência da minha avó paterna, Olivia. Ela era parteira, em Urubici, local onde nasci, e desde de muito pequena, sempre que possível, eu a acompanhava nos partos. Aos dez anos, eu já sabia manusear uma injeção. Como meu avô era diabético, eu mesma aplicava insulina nele. Cresci dessa forma, sempre gostando de ajudar as pessoas”, conta a médica.
Em Tubarão, onde está há 30 anos, foi diretora clínica e depois diretora técnica do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), até 2006. Em 2000, começou a trabalhar no curso de Medicina da Unisul até assumir a coordenação. “Ser coordenadora de um curso tão importante como medicina, me traz muitas felicidades. Gosto de ser uma liderança para os alunos, de organizar, de contribuir para a formação deles, para que sejam bons médicos”, conta.
Em sua rotina, durante a semana, divide seu tempo com pacientes, no Provida e na Clínica Multimed, e com os alunos, nas aulas e na coordenação. “Além disso, não esqueço de mim. Gosto de cuidar dos cabelos, das unhas e de me exercitar. Nos fins de semana, eu e o Nei, meu marido, damos atenção ao Enrico, nosso filho. Uma vez por mês, passo com meus pais, em Florianópolis. Eles já são idosos e aproveito para caminhar, conversar com eles”, relata Maria Zélia.