Com 88 anos de idade, 19 deles vividos em Tubarão, a irmã Johanna Niemann celebra 60 anos de consagração. Escolhida para atuar em missão no Brasil, um ano após ser consagrada Johanna deixou a Alemanha, sua terra natal, em 1960. Na Cidade Azul, a religiosa se dedica à Paróquia Santa Teresinha, no bairro Passagem, onde celebrou a data especial com missa, na segunda-feira.
Em sua caminhada de fé, Johanna conta que estar na vida religiosa foi ‘um chamado gratuito de Deus’. “Tinha 18 anos. Era uma jovem que gostava de festas. Fui num encontro na igreja e o padre contou a história de uma moça que, no tempo do nazismo e no campo de concentração, tinha como lema “Cristo, minha única paixão”. Essa história despertou minha vocação”, relembra a irmã.
Após esse chamado, Johanna conta que resistiu para ingressar na vida religiosa por mais sete anos. Até que em 1959, Johanna foi consagrada e, um ano depois, veio para o Brasil em missão, e por aqui fixou raízes.
Para ela, esses 60 anos de vida consagrada podem ser resumidos em uma caminhada de serviços ao próximo. “Meu caminhar foi marcado por trevas e luz, com alegria e sofrimento”, resume Johanna, que aconselha os jovens que querem seguir a vida religiosa a terem disposição para serem discípulos missionários.
Segundo a religiosa, para conquistar os jovens para a vida cristã, é preciso dar testemunho. “Palavras bonitas não adiantam. É preciso mostrar como, na realidade, Deus chama. Cada pessoa tem seu jeito, mas a realidade clama por missionários que anunciem Jesus”, destaca Johanna.
Vida no Brasil e as lembranças do nazismo
Com meio século de vida no Brasil, a religiosa alemã conta que o país ‘verde e amarelo’ é acolhedor. Para a irmã, a tecnologia é uma aliada e aproxima o dia a dia dela com sua terra natal. E por falar em Alemanha, Johanna conta que vivenciou o nazismo até seus 14 anos. O que mais se lembra dessa época foi quando Hitler procurou entusiasmar os jovens sobre as suas ideias e tirá-los das igrejas cristãs. “Lembro que as pessoas contra o seu regime eram perseguidas, levadas à prisão, e até mortas. O bispo que me crismou era contra o regime. Mas, como ele era da nobreza, Hitler não teve coragem de eliminá-lo. Nós tínhamos que cantar músicas como ‘Hoje, a Alemanha nos pertence, e amanhã, o mundo todo’”, relembra.