Estudo de um tratamento para câncer de pâncreas está sendo realizado e oncologista de Tubarão acompanha progresso
O câncer de pâncreas é o que apresenta menor taxa de sobrevida entre todos os cânceres comuns. Por ser assintomático nas fases iniciais, normalmente é diagnosticado em fase avançada, de metástase, reduzindo, assim, as opções de tratamento. Mas este cenário pode estar mudando. A boa notícia foi dada durante o Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.
Foram apresentados os resultados do estudo que avaliou um novo medicamento oral chamado daraxonrasib. Segundo o oncologista clínico Kélio Silva Pinto, que atua em Tubarão, o momento pode ser considerado um divisor de águas. “É um daqueles resultados raros na carreira de um oncologista. O câncer de pâncreas sempre foi o nosso maior adversário, e pela primeira vez uma terapia-alvo oral superou de forma tão expressiva a quimioterapia nesta doença”, avalia o médico.
O estudo, que está na etapa final e mais rigorosa da pesquisa clínica, incluiu cerca de 500 pacientes de vários países, divididos entre o novo medicamento e a quimioterapia padrão. Os pacientes tratados com daraxonrasib, um comprimido tomado uma vez ao dia, alcançaram sobrevida global mediana de 13,2 meses, contra 6,7 meses no grupo da quimioterapia intravenosa: praticamente dobrando o resultado. O medicamento também retardou de forma significativa a progressão da doença e apresentou perfil de segurança considerado manejável, sem novos sinais de alerta.
“Em oncologia, os ganhos de poucas semanas já costumam justificar a incorporação de um tratamento. Dobrar a sobrevida em câncer de pâncreas metastático é algo que a nossa geração de oncologistas nunca tinha visto”, explica Kélio.
No Brasil
Nos Estados Unidos, a agência regulatória FDA já autorizou um programa de acesso expandido ao medicamento, e o registro definitivo está em preparação. No Brasil, o daraxonrasib ainda não possui registro na Anvisa, etapa obrigatória antes de qualquer disponibilização.
“Hoje, no Brasil, a quimioterapia segue sendo o tratamento padrão e efetivo disponível, e ninguém deve interromper ou recusar tratamento à espera de uma novidade”, pondera o médico.