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Fim das visualizações de quantidade de curtidas no Instagram gera discussão

20/07/2019 06:00

A mudança ocorrida esta semana no Instagram, que fez com que o número de “curtidas” - também conhecidas como “likes” - que uma publicação recebe, não fique mais visível para todos, fez com que milhares de usuários entrassem em discussão sobre os prós e contras desta ferramenta.


De acordo com a psicóloga Patrícia Pozza, de Tubarão, especialista em atendimento a crianças e adolescentes, há muito as empresas que trabalham com as redes sociais têm sido pressionadas para mudar a forma com que vem anunciando as curtidas ou likes nas suas ferramentas.


“Pesquisas desenvolvidas por universidades ao longo do mundo só vieram a confirmar o que no dia a dia percebemos: o humor das pessoas varia de acordo com os likes recebidos ou vistos no seu perfil. A falsa sensação que as redes sociais nos trazem de que o ‘outro é feliz e melhor do que eu’, em função das curtidas recebidas, influencia diretamente as pessoas, principalmente aqueles que já sofrem com algum quadro de ansiedade, depressão ou estresse (doenças comuns na modernidade)”, explica.


O mundo de vitrine, como filosoficamente se acostumou chamar a ideia da necessidade de aparecer e se ver “bem visto”, é medido pelo número de “joinhas” que se recebe, explica a psicóloga. “Comportamento que há muito tempo é questionado pela psicologia e pela psiquiatria como fator desencadeante de algumas dificuldades modernas”, pontua Patrícia.


“Mudar esta situação é também uma forma de responsabilidade social das empresas que mantêm ferramentas de rede social. Ganhar dinheiro, tudo bem, mas com ética e humanização nos serviços. É o que precisamos para um mundo melhor e com mais saúde mental”, conclui a psicóloga.


Mudanças na rede

A experiência faz parte de uma série de medidas que o Instagram vem anunciando nos últimos meses para combater práticas nocivas na rede, como o discurso de ódio ou o bullying na web. Tais ações são uma resposta a críticas recebidas pela plataforma de que sua arquitetura e lógica de funcionamento favoreceriam um ambiente prejudicial ao bem-estar de seus integrantes. Um estudo da Sociedade Real para a Saúde Pública apontou o Instagram como a pior rede social para o bem-estar e a saúde mental de adolescentes. Segundo o estudo, o Instagram tem impactos importantes em adolescentes, provocando ansiedade, depressão e solidão, além de outros efeitos, como na autoimagem dos jovens a partir da lógica das fotos. O youtuber Felipe Neto esteve entre os que vocalizaram essa análise. Ele afirmou que a medida pode mudar a forma como a internet funciona. “O Instagram virou uma rede social tão de fomento à vaidade, ao ego, que se transformou em um vírus. É um lugar muito mais negativo do que positivo. Tirar os likes vai ser interessante. Vai ser interessante tirar as disputas”, comentou em um vídeo postado em seus canais.

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