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Fila de espera é maior para rins e córneas

HNSC é o segundo do Estado em número de retiradas de órgãos convertidas em transplantes bem-sucedidos

30/08/2023 06:00
HNSC/DS

O transplante de coração pelo qual o apresentador Fausto Silva foi submetido trouxe à tona o assunto de doação de órgãos, transplantes e fila de espera por um doador compatível.


Em Tubarão, o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) realiza o explante, que é a retirada dos órgãos para doação, desde 2003. Este ano, os indicadores de performance publicados até julho posicionam o HNSC como o segundo maior do Estado em número de explantes convertidos em transplantes bem-sucedidos. Como parte do processo, a instituição também realiza o atendimento dos pacientes neurológicos mais críticos no Centro de Terapia Intensiva (CTI), referência regional, a busca ativa dos pacientes com possível diagnóstico de morte encefálica, faz o diagnóstico da morte, a manutenção do potencial doador e, principalmente, faz todo o contato com a família do possível doador, de maneira sensível e humanizada, para que ela possa ter total entendimento e liberdade de escolha. Quando então existe a possibilidade, a Comissão Hospitalar de Transplantes (CHT) dentro do HNSC notifica a Central de Transplantes do Estado, que só a partir daí passa a rodar o ranking da fila de espera, vendo quem mais precisa e, especialmente, quem é compatível.


De acordo com o médico intensivista Samuel de Brida Andrade, coordenador da CHT do HNSC, o processo é extremamente técnico e é baseado em processos legais e restritos. Ele explica que a ocorrência da morte encefálica é o principal processo para a doação de órgãos.  


“O processo inicia no momento em que pacientes apresentam complicações neurológicas muito graves e é internado em um CTI. Em geral, o acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCh), seguido de traumatismo cranioencefálico (TCE) e AVC isquêmico são as principais causas. Felizmente, a maioria dos pacientes consegue se recuperar, mas um minoria não resiste ao dano neurológico e apresenta sinais de inatividade cerebral. É nesse momento que profissionais treinados e especializados iniciam o processo de diagnóstico de morte encefálica, que sabemos ser extremamente doloroso para os familiares, por isso, nosso cuidado imensurável no trato do paciente e dos familiares e de suas vontades”, pontua.


“Quando é declarado o óbito sobre esta circunstância é garantido o direito de que todo brasileiro é doador. É apenas após a constatação inequívoca do óbito por protocolos rigorosíssimos que conversamos com a família sobre esta possibilidade. E só a partir do sim da família é que se tem o início do processo de doação. Mas, repito, a vontade da família é soberana e respeitada. Se for um sim, ótimo. Se for um não, respeitaremos também porque é a vontade da família”, reforça.


Demanda é muito maior que as doações

O médico Samuel de Brida  diz que hoje as maiores dificuldades se encontram na própria fila de espera, que gira em torno de 1,4 mil pacientes/mês no Estado. “Existe uma demanda muito maior do que a capacidade de suprir esta necessidade, que pode levar anos até que as pessoas sejam contempladas. E a compatibilidade entre doador e receptor é ainda uma das maiores dificuldades, porque não basta ter o órgão e um paciente que precise dele, é preciso ser compatível e esta é uma grande dificuldade”, explica.  


Rins e córneas são os órgãos com maior fila de espera no Estado hoje. Em julho, eram 1.403 pessoas na fila de espera. Destas, 755 precisam de um rim; 445 de córneas; 73 à espera de um fígado e uma de coração, por exemplo. A busca ativa por um doador inicia primeiro dentro do Estado, segundo o médico. Caso não haja paciente compatível, parte-se para a busca em outras unidades da federação. “Lembrando que a identidade do doador é protegida por lei e seu anonimato não é apenas obrigatório como garantido. Nem mesmo entre as equipes que fazem o explante com as que fazem o implante há o cruzamento de informações”, ressalta.  

 

Suporte às famílias

O médico Samuel de Brida é categórico em afirmar que o principal trabalho da equipe é o entendimento da situação de sofrimento para a família do paciente que tem a morte encefálica diagnosticada. “Nosso trabalho, neste momento de dor intensa, é deixar as famílias com todo apoio e segurança para a tomada de decisão. Levamos a família para participar de todo o processo, dentro da UTI, para que ela acompanhe sem dúvidas tudo o que ocorre. Dar suporte a esta família é nossa maior preocupação. Dar a ela condições e autonomia de escolha. Nossa meta é dar suporte à família e fazer um trabalho impecável. Mas, de uma forma lúcida, é importante saber que existe uma lista de espera que supera em muito a quantidade de doações. Por isso, quando recebemos um sim à doação sabemos o quanto é importante”, conclui.

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