Aconteceu no reino da bicharada: como o tédio se apossara dos habitantes do reino, resolveu-se instituir um concurso para escolher o mais belo bumbum do lugar.
Foram eleitos para árbitros sua majestade, o rei leão; o galo, grande namorador e rei dos terreiros; e o papagaio, que foi também o mestre de cerimônia.
O evento atraiu grande plateia e a passarela foi ornada com flores silvestres e com arcos feitos com folhas de bananeira.
Abertas as inscrições, a cobra e a fêmea do jacaré não foram aceitas, pois ambas não têm bumbum e não têm ombros para colocar a faixa.
Também a ovelha foi descartada porque, sem tosquia, o bumbum parecia encasacado.
Começou o desfile e a coitada da cadelinha estava tão assustada que colocou o rabo entre as pernas, prejudicando o seu desempenho. Por isso, teve notas baixas por parte do júri.
A fêmea do babuíno também não agradou à comissão julgadora por causa da excêntrica coloração vermelha do seu traseiro. A coisa começou a melhorar quando se apresentou a corça: seu andar de miss, na ponta dos cascos como se estivesse sobre saltos altos, entusiasmou os árbitros e a plateia.
Aí veio a elefanta, que também não agradou muito, pois, com aquele bumbum enorme, ostentava uma pequena e ridícula cauda.
A cabritinha arrancou delirantes aplausos e assovios pelo rebolado que executava em sua marcha sensual.
Então foi a vez da fêmea do tamanduá-bandeira. A galera se dividiu entre comentários a favor e contra a “bandeirosa” cauda, que mais parecia uma fantasia de carnaval.
Então, quase acontece uma fraude: um pavão, de masculinidade duvidosa, desfilou com sua cauda de plumas coloridas, armada. Após um pequeno percurso, lembraram-se os jurados de que só os machos ostentam aquele tipo de plumagem. O fraudador foi então prontamente retirado pelos seguranças, que eram a raposa e o javali, ao som de estrepitosa vaia.
A ema compareceu com a sua magnífica plumagem, mas o seu andar meio desengonçado e sem graça não dava nenhum realce ao seu bumbum. Assim, tirou notas baixas.
Também não agradou a fêmea do canguru. Com seu hábito de se apoiar com a cauda... cadê o bumbum?
Então, “pintou” na passarela a campeoníssima do dia: um bumbum perfeito, nádegas bem arredondadas e delicadas, aparentando fofura e jovialidade. O júri e o público foram unânimes em conceder a coroa e a faixa à pequena leitoa landrace, cor-de-rosa.