Uma professora de Laguna registrou boletim de ocorrência na tarde de ontem, por racismo, após ser chamada de “nega macaca” por um homem que também teria cuspido cerveja nela.
O caso foi registrado na noite de domingo, em um restaurante do Canto do Gi. Segundo Mana Tereza, ela estava sentada quando sentiu algo líquido escorrer pelas costas e pernas. “Ao olhar para trás, eu e minha amiga vimos que se tratava de um senhor cuspindo em mim. Ele enchia a boca de cerveja, fazia o que parecia um gargarejo e cuspia em minhas costas. Quando eu olhava, este senhor mostrava a língua e balançava o rosto numa verdadeira cena de horror”, contou Mana através das redes sociais.
O homem estava acompanhando da esposa, que chegou a pedir desculpas à Mana pela atitude do companheiro. Ainda de acordo com a professora, o senhor estava bastante alcoolizado e a esposa não conseguia sair do restaurante e levá-lo para o carro. “Eu vi aquela situação e ainda tentei ajudá-los. Foi quando cheguei perto deles, mas o senhor não aceitou e disse, em alto e bom som, que eu era uma ‘nega macaca’. Foi quando meu chão se abriu e eu simplesmente fiquei sem reação”, explicou Mana ao DS.
Segundo a vítima, as agressões não pararam por aí. Antes de deixarem o local, a mulher que acompanhava o senhor teria oferecido um serviço para Mana, como forma de desculpas, em uma hamburgueria. “Minha vida acadêmica passou diante dos meus olhos. Uma professora concursada, com três faculdades. Ela forjou na cabeça dela uma história de que a mulher negra sempre é subalterna. Mas a mulher negra ocupa os mesmos lugares que as mulheres brancas. Além disso, ela começou a falar quem eram os pais dela, tentando me intimidar”.
Na tarde de ontem, Mana foi até a Polícia Civil de Laguna e registrou um boletim de ocorrência relatando o caso de racismo. O caso segue sendo investigado. “O que quero agora é a justiça”, pontuou.
Guilherme Corrêa