Em 2021, foram 1.148 casos em Tubarão. Neste ano, em sete meses, já são 800 boletins
Quase 800 boletins de ocorrência registrados neste ano pela Polícia Civil de Tubarão foram de casos de violência doméstica.
O dado preocupante é referente ao período entre 1º de janeiro e a última terça, 2 de agosto, e escancara a difícil realidade enfrentada por muitas tubaronenses diariamente. “Infelizmente, os números atuais comprovam a grande incidência do cometimento de crimes contra as mulheres, no âmbito doméstico e familiar. São situações que merecem e necessitam de combate imediato”, aponta a delegada regional de Tubarão, Carolini de Bona Portão.
Os boletins registrados neste ano já representam quase 70% do total de BOs lavrados desses casos durante todo o ano passado pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) de Tubarão. Em 2021, a Dpcami registrou 1.148 casos de violência contra a mulher na Cidade Azul.
“A Polícia Civil desempenha papel de suma importância nesse cenário e vem diuturnamente realizando ações que objetivam angariar autoria e materialidade aos crimes já cometidos, a fim de que os autores sejam devidamente e exemplarmente punidos”, explica Carolini.
Além disso, a Polícia Civil desempenha ações objetivando o apoio às vítimas e familiares, por meio de projetos que oferecem atendimento psicológico e encorajamento às mulheres, para que consigam romper o ciclo de violência, principalmente com as denúncias. “Qualquer cidadão que tenha conhecimento de mulheres que estejam sendo vítimas de violência doméstica pode e deve realizar a denúncia por meio do canal 181, sendo garantido o mais absoluto anonimato”, ressalta a delegada.
Lei completa 16 anos
A Lei Maria da Penha completa 16 anos neste domingo, dia 7. Antes, a violência contra a mulher era tratada como crime de menor potencial ofensivo, e quase sempre a pena do agressor era convertida em prestação de serviço à comunidade. Na maioria dos casos, os agressores são pessoas próximas das vítimas, como maridos, namorados, companheiros.
Somente neste ano, Santa Catarina já registrou 31 feminicídios, quase 35% a mais do que no mesmo período do ano passado. O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídio, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). O país só perde para El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia em número de casos de assassinato de mulheres.