O Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa, ficou lotado para o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, ontem.
Mais de 450 pessoas de várias partes do Estado acompanharam a iniciativa do deputado estadual Pepê Collaço. Um grupo de trabalho foi criado para que, a partir de agora, os profissionais possam debater periodicamente sobre o assunto com os deputados. “Há muito o que ser discutido, para que possamos ter mais conhecimento desse assunto tão sensível e estabelecer leis cada vez mais eficientes“, destacou Collaço.
A presidente da Associação Catarinense de Autismo (Asca), Cátia Cristiane Purnhaugen, lembrou que o debate precisa envolver saúde, educação e assistência social. “Só tenho a agradecer por essa iniciativa. Tenho certeza que vamos conseguir avançar muito nessa luta”, ressaltou.
O diretor do Colégio Dehon, de Tubarão, José Antônio Matiola, citou que mais de 30 dos cerca de 200 alunos da escola têm espectro autista. “Esta é uma oportunidade de construir metodologias adequadas. Muitas vezes, as crianças são apenas inseridas, não incluídas. E precisamos encontrar caminhos para não ter desculpas para a inclusão ser malfeita”, avaliou o diretor.
Profissionais destacam desafios enfrentados
Os médicos Jaime Lin e Michel Ghisi Callegari, de Tubarão, palestraram sobre as características e os desafios enfrentados pelas pessoas com transtorno do espectro autista e suas famílias. “É mito que o diagnóstico do TEA só pode ser fechado após os três anos. Quanto antes, melhor, e temos que encontrar um jeito de protocolar o tratamento, pois não existe um protocolo”, destacou o psiquiatra Michel.
A responsável pelo departamento de educação especial de Pescaria Brava, Raquel Fernandes Costa da Silva, destaca que o maior desafio nos dias de hoje ainda é a falta de informação. “Muitos pais têm dificuldade de entender como funciona o cérebro do autista, que é diferente”, exemplifica.