Depois de várias notícias circularem nas redes sociais e de quatro prefeituras catarinenses terem anunciado recentemente que distribuirão medicamento antiparasitário, como a Ivermectina, na prevenção de covid-19, o assunto ganhou ainda mais atenção da população. Alguns municípios registraram grande procura pelo fármaco, que não precisa obrigatoriamente de receita médica para aquisição, esgotando o produto em várias farmácias do Estado.
Para o médico do Complexo Médico Pró-Vida Lawrence de Luca Dias, a Ivermectina é um remédio antigo no mercado, indicado no tratamento de vários tipos de infestação por parasitas. Entre eles, piolho e sarna. “A Ivermectina geralmente é prescrita para casos de verminoses e parasitoides, em doses únicas e, em algumas situações, repetida uma ou duas semanas depois; e não há, até o momento, comprovações dos efeitos quando usada de forma contínua. Outro grande fator de referência é o posicionamento de diversos órgãos médicos e farmacêuticos sobre o assunto, os quais alertam para a falta de comprovações científicas para o uso desse tipo de remédio no combate e prevenção ao novo coronavírus”, destaca Lawrence.
Além da falta de comprovações, o clínico alerta também para reações adversas potenciais com o uso da Ivermectina, que podem ser intensificadas conforme as dosagens, causando efeitos como dores musculares, tonturas, febre, cefaleia, agravamento de casos de asma e outros. “Sintomas como os do uso de Ivermectina podem ser confundidos com os sintomas da covid-19, causando confusões nos pacientes, que precisam de orientação médica para não agravarem o quadro. Por isso, é extremamente importante não usar nenhum remédio sem comprovação científica”, completa o médico.