Lideranças comunitárias e especialistas afirmam que acúmulo de areia é visível
O avanço do assoreamento na Barra do Camacho, em Jaguaruna, tem gerado preocupação entre pescadores, especialistas e lideranças da região. O acúmulo de areia na entrada do canal já é visível e, segundo moradores e profissionais que atuam no local, começa a dificultar a entrada de peixes e comprometer uma estrutura considerada estratégica para a pesca, o turismo e o escoamento das águas da bacia hidrográfica do Rio Tubarão.
O presidente do Grupo de Pescadores de Tubarão, Eraldo Garcia de Souza, alerta que a situação se agravou nos últimos meses e exige providências urgentes, especialmente diante das previsões de chuvas acima da média associadas ao fenômeno El Niño. “Notamos muita diferença com o assoreamento. Estamos preocupados, pois os meteorologistas estão alertando que terá acúmulo de chuva acima do normal”, afirma.
A preocupação é compartilhada pelo presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e secretário de Proteção e Defesa Civil de Tubarão, Rafael Marques. Segundo ele, o avanço do assoreamento já pode ser observado por imagens de satélite e também por quem visita o local.
O coordenador da Comissão de Acompanhamento dos Projetos para Contenção de Cheias na Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, Claudemir dos Santos, afirma que a situação vem sendo monitorada há anos. Segundo ele, a comissão prepara um ofício à Defesa Civil do Estado e às prefeituras da região solicitando medidas emergenciais.
“Não podemos esperar que aconteça uma nova tragédia para agir. A Barra do Camacho está bastante assoreada e vamos solicitar providências urgentes das autoridades competentes”, destaca.
Comprometido
Além dos impactos para a pesca e para a economia local, lideranças regionais alertam que o fechamento gradual do canal pode comprometer a drenagem das águas em períodos de chuva intensa, aumentando os riscos de alagamentos e enchentes em municípios da região.
Região cobra retomada do projeto para obras
Enquanto cresce a preocupação com o avanço do assoreamento da Barra do Camacho, em Jaguaruna, lideranças políticas e técnicas da região defendem a retomada de projetos e ações permanentes para garantir a manutenção do canal que liga o sistema lagunar ao Oceano Atlântico.
Nesta semana, a Câmara de Vereadores de Tubarão aprovou um requerimento solicitando à Amurel a reavaliação, atualização e revitalização do projeto da Barra do Camacho. A proposta destaca que a manutenção da abertura do canal é fundamental para o escoamento das águas da bacia do Rio Tubarão e para a redução dos impactos provocados por eventos climáticos extremos.
O Legislativo também sugeriu a realização de uma audiência pública para discutir soluções e mobilizar os órgãos responsáveis.
Paralelamente, a prefeitura de Jaguaruna aguarda a análise do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) para obter a licença ambiental necessária ao desassoreamento de um trecho do canal.
Segundo o município, o estudo técnico contratado junto à Unesc já foi concluído e encaminhado ao órgão ambiental. Assim que houver a liberação da licença, a prefeitura pretende buscar recursos para executar a obra por meio de parcerias e apoio do governo do Estado.
A discussão ganhou força diante dos alertas relacionados ao fenômeno El Niño e da preocupação de especialistas com a redução gradual da capacidade de escoamento das águas da região. Para lideranças locais, além das intervenções emergenciais, será necessário discutir soluções permanentes para evitar que o assoreamento volte a comprometer a Barra do Camacho nos próximos anos.