Hoje, às 10h, ex-funcionários do porto de Imbituba, familiares e amigos irão realizar uma manifestação como pedido de resposta das autoridades responsáveis sobre o recebimento de suas verbas devidas e complementação de aposentadoria. A ação acontece na data em que é comemorado o Dia do
Portuário.
O pedido se arrasta há oito anos, desde que a administração do porto de Imbituba foi transferida da Cia Docas para a SCPar. Durante este período, 24 trabalhadores e aposentados faleceram sem ter a oportunidade de ter seus direitos restabelecidos. Muitos ainda lutam para uma realocação no mercado de trabalho. Outros, ainda, seguem em preocupante situação financeira, pois foram dispensados sem nenhum direito, sem os devidos pagamentos, inclusive sem as devidas anotações em suas carteiras de trabalho.
Juliano Carvalho de Souza lembra quando foram demitidos sem direito algum. “Eu estava de licença médica quando fui desligado e, mesmo desempregado, precisei pagar advogados para conseguir dar baixa na minha carteira de trabalho. Nestes anos, sem conseguir recolocação profissional, venho fazendo ‘bicos’ para poder sustentar minha família”, relata o ex-funcionário, que atuou no porto durante 14 anos.
Bruna Nunes, filha do ex-funcionário Jorge Ernesto Nunes, relata a situação que a família vem vivendo. Jorge foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA); com a doença em fase avançada, ele vive acamado. A esposa, Susana, também está acamada, pois há dez anos a família descobriu o Alzheimer. “Lembro a angústia do meu pai. A vida financeira da nossa família ficou fragilizada, e é difícil”, explica.
Ricardo Geremias Vieira, representante dos trabalhadores, fala que os episódios vividos pelos ex-colegas foram traumáticos. “Precisamos corrigir essa injustiça. É lamentável que o lucro esteja acima da dignidade daqueles que construíram a história do porto de Imbituba”, diz.
Sobre o caso
Em dezembro de 2012, após uma batalha jurídica, a União não renovou a concessão do porto de Imbituba à Companhia Docas de Imbituba e firmou convênio de delegação com o Estado de Santa Catarina, que passou a explorar o porto por meio da SCPar Porto de Imbituba. Todos os empregados permaneceram desenvolvendo suas atividades, com a confirmação da equipe de transição de que todos os contratos de trabalho seriam mantidos, bem como a complementação de aposentadoria. Os processos seguem em tramitação na Justiça, e os trabalhadores aguardam uma decisão definitiva.