Deputados estaduais, empresários e demais lideranças reuniram-se ontem na Associação Empresarial de Criciúma (Acic) para discutir a inclusão de Santa Catarina na expansão nacional da malha ferroviária. O encaminhamento tirado no encontro foi buscar apoio em Brasília, junto ao Fórum Parlamentar Catarinense, solicitando que a demanda entre na pauta de prioridades do Estado defendida pelos parlamentares.
O governo federal iniciou um programa para construir novos trechos e melhorar a malha já existente, através, por exemplo, da renovação das concessões. Entretanto, o Estado não está incluído, mesmo tendo estacionado o projeto inicialmente concebido em 2002, que previa a implantação de uma ferrovia ligando o Oeste ao Leste (da integração) e outra entre Imbituba e Araquari (litorânea, do Sul ao Norte).
Atualmente, o Sul conta apenas com as linhas da Ferrovia Tereza Cristina (FTC), que vão até Imbituba. “Estamos fazendo reuniões semanais para tratar do desenvolvimento do Porto de Imbituba, em relação à infraestrutura, tarifas, investimentos. As cargas que chegam hoje poderão vir tranquilamente pela BR-285, e, nesse sentido, ter a rodovia é bastante positivo. Mas, falando sobre ferrovias, essa ligação será importante para trazer até Imbituba cargas de grãos de longa distância. Hoje, eles vêm por rodovias, tornando o custo muito mais alto”, aponta o presidente da Associação Empresarial de Imbituba (Acim), Adilson Silvestre.
Para o presidente da Associação Empresarial de Tubarão (Acit), Edson Martins Antônio, a reunião promovida pela Bancada do Sul na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e pelos representantes da classe empresarial é o primeiro passo. “Precisamos criar alternativas, como o modal ferroviário. Esse é o primeiro movimento, mas estamos otimistas. Vamos discutir até que aconteça. É a oportunidade de nos unirmos para impulsionar o Executivo a também fazer pressão sobre o governo federal”, pontua.
“Cabe a nós fortalecer esse movimento, sensibilizando a classe empresarial e os deputados para melhorar esse modal, oportunizando o crescimento, o desenvolvimento e novos negócios para o Estado”, conclui.
“Temos que agir politicamente, de forma adequada, tratando desse assunto em Brasília, com os nossos representantes. Precisamos o quanto antes marcar essa reunião com o Fórum Parlamentar Catarinense”, reforça o presidente da Alesc, Julio Garcia.
Para o diretor-presidente da Ferrovia Tereza Cristina (FTC), Benony Schmitz Filho, o Estado precisa tomar uma decisão estratégica para tornar-se mais competitivo. “Se decidirmos que ferrovias são importantes, precisamos de estudos e projetos para apresentar aos investidores. E, hoje, Santa Catarina não tem projetos. Precisamos que o governo federal termine o projeto iniciado há 17 anos. Isso tem que ir para a pauta”, avalia.