Lindomar Tournier, de 104 anos, chegou a assistir ao vivo a Copa de 1950
Quando a primeira Copa do Mundo foi disputada, em 1930, Lindomar Cardoso Tournier já tinha oito anos de idade. Hoje, aos 104 anos, o escritor tubaronense carrega uma lembrança que poucos brasileiros podem contar: assistiu à decisão da Copa de 1950 no Maracanã e acompanhou, desde então, todas as edições do maior torneio de futebol do planeta.
Na infância, acompanhar uma Copa era bem diferente dos dias atuais. Não havia televisão e as notícias chegavam pelos jornais impressos, que eram a principal fonte de informação para milhões de brasileiros. “Não existia TV. Os jornais diários é que nos informavam. Vencemos cinco Copas. Sinto muita falta dos jornais diários (papel). Por sorte, temos o DS”, disse, fazendo uma referência carinhosa ao Diário do Sul.
Foi justamente vinte anos depois da primeira Copa que viveu uma experiência inesquecível. Em 1950, viajou ao Rio de Janeiro para assistir ao Mundial e presenciou uma das partidas mais marcantes da história do futebol brasileiro: a derrota para o Uruguai na final, episódio que ficou conhecido como Maracanazo.
Mesmo depois de mais de sete décadas, alguns detalhes continuam vivos na memória. “Andei seis quilômetros a pé, peguei um avião da Varig até o Rio de Janeiro. Lá, fiquei perdido por três horas”, relembra.
Ao longo de mais de um século de vida, seu Lindomar viu o Brasil conquistar cinco títulos mundiais. Para ele, naturalmente, essas foram as Copas mais marcantes. “As Copas que vencemos, naturalmente, foram as melhores. A de 1950, que assisti, estávamos muito bem. O Uruguai foi a pedra no caminho.”
Além das lembranças do futebol, seu Lindomar ainda alimenta outro sonho: registrar a própria trajetória em um livro, desde a escola até hoje, passando pela experiência na Copa do Mundo. “Meu tempo está curto e o dia é pequeno, mas tenho vontade de escrever sobre a minha vida.”
Mesmo aos 104 anos, ele continua acompanhando a Seleção Brasileira, embora veja o momento atual com cautela. “Não temos mais aqueles jogadores do passado. Nosso time é fraco. Será uma grande surpresa se chegar à final”, avalia
Mas, para quem testemunhou quase um século de Copas do Mundo, a experiência também ensinou que o futebol nunca deixa de surpreender. “Futebol é uma caixa de surpresa. O resultado só se sabe no fim”, conclui.