Especialistas destacam prevenção, diálogo e políticas públicas para o cuidado
A adolescência e o início da vida adulta representam etapas fundamentais na construção da identidade, da autoestima e do senso de pertencimento. Nesse período, as redes sociais passam a exercer influência direta sobre a forma como os jovens se enxergam, se comparam e se relacionam, o que pode ampliar fragilidades emocionais.
De acordo com a psicóloga Larissa Bento, da Unimed Tubarão, essa fase é marcada por maior sensibilidade ao sofrimento psíquico. Muitos comportamentos e padrões emocionais observados na vida adulta, segundo ela, têm origem justamente nesse momento, quando ainda estão em formação os recursos internos para lidar com frustrações, cobranças e expectativas externas.
A exposição constante a padrões idealizados de sucesso, aparência e estilo de vida, somada às exigências familiares, ao desempenho acadêmico e às decisões profissionais, tende a intensificar o estresse. Esse acúmulo pode favorecer o surgimento de ansiedade, depressão e, em situações mais extremas, crises de pânico.
Nesse cenário, a psicoterapia atua tanto de forma preventiva quanto terapêutica, auxiliando jovens a reconhecer gatilhos emocionais, reorganizar pensamentos negativos e desenvolver estratégias de autorregulação. O psiquiatra André Luiz, de Tubarão, ressalta que o crescimento dos diagnósticos de transtornos de ansiedade e humor entre adolescentes é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde e está ligado a fatores ambientais, digitais e ao próprio desenvolvimento neurológico.
Campanha
Desde 2017, a Alesc deu um passo importante na valorização da saúde mental como política pública, com a instituição da Campanha Janeiro Branco. Sob o lema “Quem cuida da mente, cuida da vida!”, a iniciativa ajuda a romper silêncios, estimular o diálogo e trazer à luz um tema que, por muito tempo, foi tratado com tabu e invisibilidade.
Em Santa Catarina, os dados reforçam a urgência do debate. Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o estado registra índices de suicídio acima da média nacional, especialmente entre jovens e homens adultos.
Em alguns anos recentes, Santa Catarina figurou entre os estados com maiores taxas proporcionais de mortes autoprovocadas, um dado que escancara a necessidade de prevenção, acolhimento e políticas permanentes de cuidado psicológico.