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Criança e celular: uma realidade que preocupa

30/03/2019 06:00

Hoje em dia, é possível perceber um novo tipo de brincadeira da garotada: os tablets e celulares. Que criança brinca é algo que é perceptível diariamente. Inclusive, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) leva isso tão a sério que garante em um de seus artigos o direito de brincar a todas as crianças. Porém, é preciso tomar cuidado com essas novas possibilidades.


Os irmãos Lucas e Heloísa, de 12 e nove anos, respectivamente, têm cada um seu próprio aparelho. Porém, os pais impõem regras para o uso. “Eles usam mais no fim de semana, e há horários para usarem os aparelhos. Temos controle de acesso ao que estão vendo, como jogos, vídeos, e conversamos constantemente sobre os perigos. Inclusive, orientamos bem quanto ao caso da Momo”, diz  o pai, Thiago Rodrigues.

A criança geralmente tem acesso a um aparelho se ele é dado pelos responsáveis. Por isso, o exemplo é o principal caminho para a educação dos pequenos.

“É necessário que os pais se autoavaliem sobre a forma que utilizam a tecnologia. É uma forma de modelo de comportamento. O filho que nunca viu os pais com um livro na mão não vai ter ideia de ler um livro. Para lidar com os filhos, é necessário fazer uma modificação do seu próprio comportamento”, afirma a psicóloga e professora da Unisul Maria Paula Matos Almeida.

Essa privação do mundo real pode ter um impacto muito significativo na vida adulta dessa criança. Segundo a psicóloga, a falta de brincadeiras

reais pode prejudicar o desenvolvimento neural, a aprendizagem sensorial e o desenvolvimento da coordenação motora. “Além disso, tem o impacto social, das habilidades sociais, que são desenvolvidas no contato direto com as pessoas. As regras, o traquejo social, essas habilidades não são desenvolvidas virtualmente, são desenvolvidas com o contato real”, esclarece.

Exemplo dos pais é essencial para as crianças

Como falar para a criança que ela precisa brincar com outras atividades, como bola, livros de desenho e jogos de tabuleiro, se os responsáveis não dão o exemplo? Segundo a pedagoga e professora da Unisul Rosandra Sachetti Hübbe, os pais se enganam ao mandarem a criança brincar e não fazerem com ela a atividade. “Mais do que mandar, é necessário participar junto. Os pais precisam manifestar seus interesses para que ela veja o exemplo, e a alegria real dos pais/familiares ao realizarem aquela atividade com gosto. Isso certamente atrairá o interesse para a atividade que o adulto está fazendo”, ressalta.

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