Lúcio Flávio de Oliveira
Diretor de Redação DS
A polícia vai investigar, colher depoimentos, ver as imagens das câmeras de segurança instaladas onde ocorreu essa cena vergonhosa para a cidade, e vai encontrar três criminosos covardes batendo num jovem que tinha saído de casa num sábado à noite apenas para se divertir. Mas havia mais gente espancando aquele rapaz ali – muito mais gente.
Não aparecerão nos registros das câmeras, mas muitos outros contribuíram para que ocorresse tamanha agressão. A começar pelos que, vendo que ocorria uma violência absurda como essa, não socorreram a vítima, nem chamaram a polícia. Também podem sentir-se devidamente representados nessa covardia todos os homofóbicos e preconceituosos desse Brasil varonil.
Aquele prefeito que demitiu um professor por abordar temática LGBTQIAPN+ em sala de aula. Viu agora quanta falta faz educar nossas crianças para que cresçam sabendo conviver num mundo cheio de diferenças? E você, você e você que apoiou o prefeito quando ele disse que isso é “viadagem”, perceba como a intolerância fere e mata. E se fosse com um familiar seu?
Também aquele jogador de vôlei que criticou o Super-homem bissexual. Viu só como é importante expurgar da seleção brasileira gente que pensa dessa forma? Eles acabam incentivando gente que pensa como eles a se tornarem violentos. E notem que esses covardes só partem para a ignorância quando agem em grupo. Sozinhos, nunca são os valentões que imaginam ser.
No país que mais mata sua população LGBT em todo o planeta, entende agora por que não dá pra eleger políticos que sejam preconceituosos e que adoram fazer piadinha homofóbica? Como conseguem rir e fazer piada com a dor dos outros? Matar ou agredir porque a pessoa pensa diferente, ou porque ela é justamente o que você queria ser e não consegue, é um absurdo. E é crime.