Quinta-feira, 14 de maio de 2026
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Artesã transforma resíduos em beleza

Com fios de bananeira, a tubaronense Rosinete Marcos faz arte sustentável e resgata cultura dos antepassados

05/06/2024 06:00|Atualizada em 05/06/2024 17:17|Por Daiane fernandes / [email protected]

Já dizia Pero Vaz de Caminha: “em se plantando, tudo dá”. Nada melhor que essa frase para poder expressar o talento da tubaronense Rosinete Marcos. A artesã se utiliza dos recursos naturais para fazer peças de beleza e decorativas de forma sustentável. 

Em tempos de crescente preocupação ambiental, a busca por alternativas sustentáveis se tornou prioridade para a  moradora da Guarda produzir a sua arte.


 

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Há três anos, ela aperfeiçoou suas técnicas de crochê e passou a utilizar o fio de bananeira na criação de peças artísticas e artesanatos.

Originário de um subproduto agrícola frequentemente descartado, o fio de bananeira tem mostrado um potencial extraordinário para a produção de obras de arte únicas e ecológicas, que neste Dia do Meio Ambiente, lembrado hoje, mostra a importância da sustentabilidade e cuidado com a natureza.

A arte com fio de bananeira é um exemplo inspirador de como criatividade e sustentabilidade podem caminhar juntas.

Talento

“Desde a infância faço com vários tipos de artes. Comecei fazendo crochê aos oito anos. Em 2022, fui desafiada em curso a resgatar a identidade cultural de Tubarão. Foi um desafio. Criei a coleção ‘Memórias Sempre Viva’, com base em fibra de bananeira. Desde então, não parei mais”, relembra.

Para a artesã, sua história se funde aos seus antepassados. “Na roça nasci e nela cresci. Trago nas veias a descendência primitiva e memórias que jamais esqueci. Sempre morei no interior de Tubarão, lugar de muita agricultura, olarias, engenhos, tafonas, alambiques, teares, quintais cheios, rio abundante. Mulheres e homens que com pouco faziam milagres, plantavam, teciam, moíam, cortavam, bordavam, crochetavam e os costumes não se perdiam”, relembra Rosinete.

A banana no quintal das casas, segundo ela, não faltava. “Quanto mais colhiam, mais crescia. Usavam para tudo: assar, cobertura, esteira, amarradura e alimentação. Hoje, o que relato esteve presente. Minha arte é inspiração desta fibra importante, sustentável e que está sempre viva no presente. Aqui em Tubarão, a fibra de bananeira é arte”, destaca.

Para a artesã, ter seus produtos enraizados nessa cultura é uma forma de reverenciar a natureza. “Já tive peças que foram até para fora do país. Isso mostra que tudo podemos quando respeitamos o meio em que vivemos”, diz.

Processo de produção

Rosinete explica que o fio é extraído do caule da bananeira, que normalmente seria descartado após a colheita dos frutos. O processo de extração envolve a retirada manual das fibras, que são então lavadas, secas ao sol e tratadas para adquirir flexibilidade e resistência. Artesãos como ela têm encontrado no fio de bananeira uma matéria-prima versátil e sustentável. A fibra pode ser tingida com corantes naturais e trabalhada em uma variedade de técnicas, incluindo tecelagem, crochê, tricô e macramê. O resultado são peças de grande beleza e valor cultural, que variam de joias e cestos a esculturas e itens decorativos.

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