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A realidade após um ano do assalto em Criciúma

30/11/2021 06:00

Há um ano, a vida do soldado Jeferson Esmeraldino e de sua família mudou para sempre. Foi entre a noite do dia 30 de novembro e a madrugada de 1º de dezembro que ocorreu o mega-assalto à tesouraria regional do Banco do Brasil, em Criciúma, quando cerca de 30 homens levaram R$ 125 milhões da agência.


Na troca de tiros entre a polícia e os bandidos, naquele que é considerado pelas autoridades como o maior roubo da história de Santa Catarina, Esmeraldino foi alvejado no abdômen, passou por cirurgia e recebeu alta hospitalar depois de dois meses. Desde então, ele permanece sob cuidados médicos em casa, em Tubarão. “Ali tudo mudou, naquele momento de batalha”, diz a mãe do soldado, Sandra Aparecida Nunes.


Aos 33 anos, Esmeraldino não fala, faz poucos movimentos e se alimenta por sonda. Morando com a mãe, ele recebe cuidados com auxílio 24 horas de uma equipe composta por fonoaudiólogos, fisioterapeutas e técnicos em enfermagem. Os profissionais são pagos pela PM. “Mesmo assim, ainda temos muitos gastos. A conta de luz, por exemplo, é bastante alta, por conta dos aparelhos que precisam ficar ligados. Aos fins de semana, com a folga da equipe, sou eu que preciso ajudar”, explica Sandra.


Em agosto deste ano, Esmeraldino passou por uma cirurgia, em Florianópolis, para colocar uma válvula no cérebro, por conta da hidrocefalia. O procedimento, que poderia dar uma qualidade de vida melhor para o soldado, acabou não saindo como o esperado, segundo Sandra. “Após a cirurgia, precisamos ficar dois meses no hospital. Depois, quando ele teve alta, passou mal, teve febre e precisamos voltar ao hospital e fazer a retirada da válvula. Ele ficou bem ruim, mas conseguiram reverter a situação. Agora, ele tem apresentado algumas melhoras. Está mais gordinho, já conseguimos colocá-lo na cadeira de rodas”, conta a mãe.


Por conta dos problemas com a cirurgia, a família precisou atrasar a mudança de casa. No começo deste ano, colegas de PM lançaram uma campanha para arrecadar recursos visando ampliar a casa da família, para melhor acolher o policial baleado. Com o dinheiro, a família decidiu que, em vez das melhorias, o ideal seria mudar de endereço.


“Encontramos uma casa mais próxima das unidades de saúde, com mais segurança e que pode ser adaptada facilmente, com mais privacidade e conforto para ele. Para isso, conseguimos negociar uma casa nossa na praia, juntar com o valor arrecadado, e daí compramos essa. A expectativa é iniciar o próximo ano já nessa residência”, diz Sandra.


Doações

Além de agradecer a todos que já ajudaram de alguma forma com a família, Sandra ressalta que as doações podem continuar sendo feitas pelo Pix 966.611.789-49, em nome de Sandra Aparecida Nunes. “Não é fácil dar conta de tudo, mas, com a ajuda das pessoas, estamos conseguindo trazer mais qualidade de vida para o meu filho. Estamos fazendo tudo com transparência e fazemos questão de mostrar os resultados”.


Duas pessoas ainda seguem foragidas

Até o momento, dez pessoas suspeitas de envolvimento no mega-assalto foram presas, duas estão foragidas e há duas investigações sigilosas em andamento. O Banco do Brasil afirmou que colabora com as investigações das autoridades policiais, a quem cabe prestar mais informações sobre a ocorrência. O valor recuperado não foi informado.


Depois do mega-assalto, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recomendou ao Estado a reposição de cargos vagos nas polícias Civil e Militar mediante concurso público; nomeação dos aprovados para os cargos de agente da Polícia Civil e escrivão da Polícia Civil; aquisição de novas armas longas, coletes balísticos e veículos blindados para o combate ao crime organizado, além de práticas que promovam maior integração entre as polícias.

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