Apresentação em noite de gala transformou a luta de Helena Cardozo, 19 anos, de Tubarão, em arte e muita emoção
Uma coreografia carregada de significado, aplausos longos e lágrimas na plateia marcaram a apresentação de Helena Uliano Cardozo, 19 anos, durante a Noite de Gala da Escola Ana Olímpio, realizada no teatro da Arena Multiuso Estêner Soratto, em Tubarão. Em tratamento contra um câncer no braço, a jovem levou ao palco uma dança que contou sua própria história de luta, dor e superação.
A apresentação nasceu da parceria entre Helena e a professora Ana Olímpio e foi pensada para traduzir, em movimentos, o papel da dança como suporte durante o tratamento.
Mesmo com o braço esquerdo imobilizado após cirurgia, perda total do movimento do punho e parcial da mão, além do retorno à quimioterapia, Helena decidiu seguir até o fim.
“Eu e a Ana tivemos pouco tempo para criar a coreografia, foram poucos ensaios e tudo muito corrido. Intercalados com a quimioterapia e o tempo que o meu corpo precisava para se recuperar pelo menos o mínimo. Na maioria das vezes, eu não conseguia dançar a coreografia até o final.
Precisava parar, descansar e me questionava se realmente ia conseguir dançar no dia”, conta.
“Mas enquanto meu corpo pedia ajuda, a dança me acolhia. Mesmo cansada, eu entendia que estar ali já era vencer, sentia gratidão. Não foi só sobre ser forte e aguentar, a dança me ensinou a respeitar os meus limites e entender que estava tudo bem não sair perfeito”, reflete.
“No dia do espetáculo, eu estava muito nervosa. Antes de entrar no palco eu orei, pedi para Deus que desse tudo certo, que me deixasse sentir e que a dança falasse por mim”, lembra.
Sentimentos
Um dos momentos mais simbólicos do espetáculo foi quando Helena retirou o lenço durante a coreografia, expondo a careca diante de quase mil pessoas. “No começo do tratamento isso era muito difícil para mim. Naquele dia, foi libertador. Era o meu corpo dizendo: eu estou aqui, do jeito que eu sou”. A resposta veio nos aplausos e na emoção do público. “Depois, muitas pessoas vieram falar comigo. Disseram que choraram e se sentiram tocadas. Aquilo me mostrou que não era só sobre mim. Esse espetáculo foi uma superação, me tirou da zona de conforto e me lembrou da força que existe dentro de mim”, conta.