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RENATA DAL-BÓ

15/05/2024 06:00

Misoginia – O tataravô dos preconceitos

O preconceito é tão antigo quanto a história. A misoginia, que tem por definição o ódio e desprezo pelas mulheres ou meninas, é o mais antigo e, talvez, o mais sólido de todos. E pode se manifestar de várias maneiras, como a exclusão social, a discriminação sexual, hostilidade, o patriarcado, ideias de privilégio masculino, a depreciação das mulheres, violência contra as mulheres e objetificação sexual.

Há séculos a mulher é retratada como uma figura secundária, uma espécie de apêndice ou complemento à criação original. Na narrativa judaico-cristã, Eva é descrita como sendo formada a partir da costela de Adão, uma solução para a solidão que Deus percebeu em sua primeira criação. Na Grécia Antiga, a mulher era tida como um ser inferior e não era considerada cidadã, portanto não tinha direito de votar ou participar da vida política. Também não podia possuir propriedades e era submetida à autoridade masculina, seja do pai ou do marido. Seu papel social estava ligado ao casamento, aos filhos e à religião. Mas nem precisamos ir tão longe, no século XIX ficar solteira era praticamente um atestado de invalidez, pois a valorização da mulher estava na sua boa reputação como esposa, mãe e dona de casa. O direito ao voto feminino no Brasil foi conquistado no século XX, em 1932, mas apenas em 1965 a igualdade política entre os sexos foi oficializada. Antes disso, a mulher casada era incapaz para diversos atos da vida civil. Se quisesse trabalhar, receber herança ou ajuizar ação judicial, precisava da autorização expressa do marido.

Mas, o mais triste, é constatar que, em pleno século XXI, a mulher ainda sofra inúmeros tipos de violência: física,  psicológica, moral, sexual, patrimonial e seja vítima de feminicídio, pelo único e exclusivo fato de ser mulher. 

O preconceito está em pequenos gestos, palavras e expressões repetidas no dia a dia que simplesmente passam despercebidos. Qual foi a última vez que você ouviu as frases: “não liga, ela é mal-amada, mal comida”, “queria eu ser sustentado pela minha mulher”, “hoje o fulano não pode sair, está de babá”? O pior é que, algumas vezes, são ditas pelas próprias mulheres. 

E a pergunta que não quer calar é: o que fazer para que a misoginia, enraizada há séculos em nossa sociedade, não se perpetue? Lembremos que o preconceito é cultural e social. Há que se fazer um grande esforço coletivo para desconstruir o que, muitas vezes, vem sendo passado como herança de geração em geração, sem questionamentos. Na minha vã opinião, mais uma vez a palavra-chave é: educação. Com leis e educação, quem sabe nossos filhos se tornem pessoas mais esclarecidas e tolerantes e tenham mais condições do que nós de construir um mundo mais inclusivo e menos preconceituoso.

Diário do Sul
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