Em pouco menos de um mês, Tubarão tem data marcada para celebrar a sua poesia. A Câmara aprovou na última segunda-feira um projeto de lei, proposto pelo vereador Maurício da Silva (PP), que cria o Dia Municipal da Poesia Alice Cardoso de Jesus. Ao conhecer a história de Alice, percebemos que há muito mais que ser festejado nessa data. A autora, que completaria 100 anos em 2027, foi alfabetizada apenas aos 42. Há uma história de persistência e amor à arte aqui. Tem também a exaltação de políticas públicas inclusivas, já que sua escrita só foi possível graças ao Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). Mesmo durante a sanguinária ditadura que tivemos, havia a consciência de que o papel do Estado é reduzir desigualdades e combater injustiças. Alice era uma mulher negra que teve seu direito à educação negligenciado pela ideia de que “mulher não precisa estudar”. Teimou e publicou três livros. Seu legado está registrado na história e esta lei municipal permitirá reflexões sobre justiça, cidadania e poesia.
Grupos reflexivos
A Câmara também aprovou um projeto de lei que institui o programa de grupos reflexivos para homens autores de violência contra a mulher. Trata-se de mais uma iniciativa que fura a barreira da ignorância – inclusive a minha própria, que propus a matéria ao lado de Maurício da Silva (PP) e Paula Anacleto (PL). A proposta surpreende pela simplicidade: um grupo de homens condenados pela Lei Maria da Penha se reúne e, sob a coordenação de ao menos um psicólogo e um assistente social, reflete sobre os atos. A eficácia é impressionante: a reincidência cai de 50% para 10%, segundo dados do Repositório Institucional da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc).
Lições aos EUA
A “The Economist” é, como se sabe, a principal publicação econômica do mundo. Sua linha editorial não é o que se convencionou chamar de comunista. A capa dessa semana reconhece a lição que o Brasil dá ao julgar um ex-presidente que tentou dar um golpe de Estado: “O Brasil oferece uma lição de democracia para uma América que está se tornando mais corrupta, protecionista e autoritária”. É a história sendo escrita.