Dados reforçam protagonismo feminino nos negócios e destacam histórias de adaptação e expansão
As mulheres seguem à frente do crescimento do empreendedorismo em Santa Catarina. No primeiro trimestre deste ano, dos 124.656 sócios registrados em novas empresas, 72.626 são mulheres — o equivalente a 58,2% de participação no quadro societário. Os dados reforçam uma tendência de protagonismo feminino na criação e gestão de negócios no estado.
O cenário também revela a força de uma nova geração de empreendedores. Jovens entre 21 e 31 anos representam 30,2% dos sócios cadastrados no período, somando 37.648 pessoas que apostam no próprio negócio como caminho profissional.
É nesse contexto que histórias como a da tubaronense Marina Schmitz ganham destaque. Aos 34 anos, ela representa a combinação entre coragem, reinvenção e aprendizado contínuo — características que marcam o perfil de muitos dos novos empreendedores catarinenses.
Advogada por formação, Marina trabalhava em um escritório quando decidiu seguir uma paixão antiga: a gastronomia. O que começou como hobby ganhou forma em 2019, quando abriu um MEI voltado à produção de tábuas de frios, geleias e antepastos para eventos. Pouco depois, porém, veio a pandemia — e com ela, o cancelamento de festas e encontros.
“Nem deu tempo de colocar o plano original em prática”, relembra. Diante do cenário incerto, ela precisou se adaptar rapidamente. Em vez de eventos, passou a produzir por encomenda e entregar os produtos diretamente nas casas dos clientes. A mudança de estratégia foi decisiva para manter o negócio ativo.
Com o fim das restrições, a demanda cresceu — e o que era uma iniciativa individual ganhou proporções maiores. Hoje, ao lado do pai, Alexandre, que define como seu “braço direito e esquerdo”, e com apoio de parceiros, Marina deixou de ser microempreendedora individual e se consolidou como empresária. O negócio – Casa Schmitz Gastronomia Artesanal –, atende eventos com até 250 convidados em toda a região, ampliando o cardápio para incluir também pratos quentes.
Mais do que habilidade na cozinha, ela destaca que empreender exige preparo em diversas áreas. “É preciso disciplina, amor e nunca deixar de buscar conhecimento. Não basta saber fazer gastronomia. É preciso aprender sobre gestão, precificação, organização e estoque”, afirma.
A trajetória de Marina reflete uma realidade cada vez mais comum: mulheres que transformam desafios em oportunidades e assumem o controle da própria carreira. Em Santa Catarina, elas não apenas abrem empresas — mas lideram, inovam e ajudam a movimentar a economia.