Serviços contratados e pagos não foram realizados, de acordo com as investigações
A Polícia Civil deve receber hoje os materiais apreendidos em Orleans e Pescaria Brava durante a operação Zero Grau, realizada ontem em seis cidades do Estado, além de Curitiba, no Paraná.
Segundo o delegado Marcus Fraile, da Delegacia de Combate à Corrupção (Decor/Deic), documentos e aparelhos celulares estão na lista de objetos apreendidos na região. Por telefone, Fraile confirmou que os mandados de busca e apreensão cumpridos em Orleans aconteceram em uma empresa do município. Já em Pescaria Brava, o foco foram as casas de dois ex-servidores das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc).
A operação Zero Grau apurou que ao menos R$ 3 milhões foram desviados em fraudes contra a Celesc em 2010. A ação,
desencadeada pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), apreendeu carros de luxo, caminhões e R$ 100 mil em dinheiro tanto em Santa Catarina quanto no Paraná. Ao todo, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e o sequestro de 49 veículos, determinado pela Justiça.
Segundo a polícia, os investigados são quatro ex-funcionários que atuavam na empresa na época, suspeitos de receberem valores indevidos dos cofres públicos. As fraudes eram feitas, de acordo com a polícia, por meio de ordens de serviço para avarias causadas por eventos climáticos, cujos serviços não foram prestados e o dinheiro foi desviado.
“O inquérito apura, desde 2013, serviços gerados por eventos climáticos pelo Estado, mas em 90% deles conseguimos comprovar que os serviços não foram realizados e os pagamentos eram feitos por notas fiscais frias no conluio entre os funcionários e empresários investigados”, afirma o delegado. Fraile estima que o valor das fraudes possa chegar a R$ 10 milhões, mas essa quantia ainda não conseguiu ser comprovada pela polícia.
CELESC AGUARDA INVESTIGAÇÕES
Por meio de uma nota enviada à imprensa, a Celesc afirmou que está colaborando com as autoridades e aguarda a continuidade das investigações. O nome da operação Zero Grau é uma alusão à grande quantidade de notas fiscais frias emitidas pelos supostos serviços. A ação realizada ontem tem ligação com outras operações que também apuraram o desvio de verbas na Celesc. Em 2010, uma investigação apontou a participação do ex-assistente da diretoria técnica, Antônio dos Santos, e do filho Arthur Rosa dos Santos, responsável por orçar os consertos emergenciais, além do então chefe de telecomunicações, Edu Fagundes, e a mulher, Luciane de Aguiar Fagundes, também secretária do setor.
Guilherme Corrêa