No dia em que comemoraria 79 anos, Berto Koch se despediu da cidade que teve nele o maior nome do colunismo social das últimas décadas. Neste mês, ele também completaria 38 anos como colunista, sendo os últimos 11 no Diário do Sul, onde estreou em 1º de abril de 2009.
Berto faleceu na madrugada de ontem em decorrência de problemas de saúde. Ele estava internado no hospital há cerca de dois meses. O sepultamento foi à tarde, no Horto dos Ipês.
Durante todo o dia, muitos amigos, admiradores e familiares também usaram as redes sociais para se despedirem do colunista que tão bem soube retratar a sociedade tubaronense e a região.
“Amigo Berto, com tristeza só vi agora que exatamente no seu aniversário você nos deixa para comemorar no céu. Que bom ter participado da sua vida. Festa no céu, com certeza”, disse um amigo de São Paulo.
Aliás, Berto conquistou amigos não apenas em Tubarão, mas no Estado e no país, onde seu nome se tornou conhecido e respeitado como um dos maiores no colunismo. Era bem recebido em todos os lugares onde ia. Suas festas trouxeram a Tubarão e Laguna grandes nomes do mundo artístico e o consagraram em quase quatro décadas dedicadas a mostrar o que de mais bonito e elegante circulava na sociedade.
“Tenho que dizer que foi um prazer trabalhar com ele e que sinto muito pelo seu falecimento. Seu Berto ligava toda noite para contar alguma história. Sempre perto do fechamento do jornal. Adorava dar bom dia quando era à tarde. Boa noite quando era dia. Ele queria mesmo era nos divertir. Berto gostava de grandiosos eventos sociais, de pessoas bem vestidas e era atento aos detalhes. Faleceu no dia do próprio aniversário. Um dia especial para que seja recebido como sempre gostou, com alegria e festa. Esse merece aplausos de pé”, descreveu o editor-chefe do DS, Davi Goulart.
Talento também nas artes plásticas
Além de colunista social, Berto Koch tinha um outro talento especial: a pintura. O gosto pela arte surgiu ainda menino, aos nove anos, após assistir a um filme que retratava a vida do artista holandês Van Gogh. Desde então, Berto começou a pintar e não parou mais. Estima-se que tenha pintado mais de mil quadros, em sua grande maioria paisagens.
Passou a pintar com aquarelas, e uma professora do Grupo Escolar Mauá, Leonor Lima Brasil, viu o que ele pintava, gostou e o incentivou.
Anos depois, já morando em Curitiba, Berto passou a estudar na Escola de Belas Artes Alfredo Andersen. Lá, teve aulas de anatomia, de composição, de história da arte. Em 1963, ano em que se formou na faculdade de Ciências Econômicas, Berto teve um quadro premiado pelo Salão Paranaense de Artes Plásticas da Biblioteca Pública do Estado do Paraná.
A primeira exposição de Berto ocorreu em 1994, na Casa da Cidade, em Tubarão. Foram expostos 65 quadros, dos quais vendeu 60. Em 1995, foram 40 quadros e todos vendidos. Tem seus quadros em vários estados e também em outros países. Quando a usina Jorge Lacerda 4 estava em construção, a região recebeu engenheiros e profissionais de vários países, e muitos deles compraram os quadros que hoje estão na China, na Itália, na França e nos Estados Unidos, além da Argentina e do Paraguai.
As paisagens, tema principal de Berto, são pintadas a partir da imaginação do autor ou de fotografias tiradas em viagens.
Do trabalho em banco às colunas no jornal
Nascido em Imaruí, Berto Koch veio ainda criança com a família morar em Tubarão. Aos 16 anos, foi para Curitiba, onde terminou os estudos secundários e ingressou na faculdade de Ciências Econômicas e cursou também a Escola de Belas Artes Alfredo Andersen.
Ainda em Curitiba, Berto começou a trabalhar em bancos e financeiras, e foi em um destes trabalhos, junto à Capital Companhia de Créditos, Financiamento e Investimentos, que ele foi morar no Rio de Janeiro.
Com sua volta a Tubarão, em 1982, recebeu inúmeros convites de trabalho. Um deles foi do ex-prefeito Estêner Soratto, para que apresentasse um programa na então Rádio Tabajara, hoje Rádio Bandeirantes. Nesta época, surgiram várias oportunidades, inclusive como funcionário público.
Chegaram a lhe oferecer até 12 empregos. Queriam que ele ficasse e organizasse as festas e fizesse uma coluna social, pois nesta época não havia ninguém que fizesse isso em Tubarão, e como tinha bons contatos e já tinha trazido alguns amigos do Rio de Janeiro, como Fábio Máximo, Rogéria e Elke Maravilha, aceitou o convite.
O trabalho como colunista surgiu ao mesmo tempo em que fazia o programa de rádio “Berto Koch informa e comenta”. Primeiro, as colunas eram escritas no jornal Tribuna Sulina, a convite de Bartholomeu de Menezes; depois, no jornal da Cidade (por 23 anos) e Notisul. No Diário do Sul, Berto estreou no dia 1º de abril de 2009, onde manteve uma coluna diária até dois meses atrás, quando ficou doente.
Berto foi referência em festas de gala
Berto Koch é referência em muitas questões ligadas ao colunismo social. Além do carinho com que tratava todos os seus “colunáveis”, não esquecia uma data de aniversário, e não apenas homenageava em sua página no jornal, mas também ligava para dar as felicitações pela data.
Além dos jantares dançantes, ele também foi um dos pioneiros na entrega de troféus em homenagem a personalidades, com grandes festas de gala. A primeira entrega ocorreu em 1985. O título é “destaque do ano”, e em cada edição o troféu ganha um nome especial; o primeiro foi “Tubanharô”, e a entrega ocorreu no Hotel Internacional Termas do Gravatal, a convite do então proprietário Hélio Agostinelli.
Em média, foram homenageadas de 60 a 80 pessoas por ano. No primeiro ano, a escolha dos homenageados foi feita com base em uma pesquisa de opinião com os funcionários da prefeitura; depois, no ano seguinte, com estudantes da Unisul; e no terceiro, no comércio.
A convivência com artistas, como atores, cantores e políticos, também fez parte da vida de Berto Koch desde quando morou no Rio de Janeiro. O contato com as celebridades não se perdeu quando ele retornou a Tubarão. Ao contrário, em seus eventos sempre trazia algumas destas pessoas para abrilhantar as festas.