Kamila Melo/DS Duas rodas é o que sustentam o objetivo do ciclista Renato Elias dos Santos. Atleta e sonhador, ele embarcou no dia 11 de janeiro em Campos, Rio de Janeiro, rumo ao maior desafio da sua vida: percorrer 100 mil quilômetros de bicicleta. Ontem, ele chegou a Tubarão.
Se no olhar de muitos parece loucura, no dele está estampada a coragem de ficar longe de casa e da família por, pelo menos, dois anos. “O momento mais difícil foi a saída”, relata o ciclista. Mas é a missão que carrega consigo que o mantém pedalando dia após dia. “Essa minha campanha é pelas crianças do país, para despertar a vontade de praticar algum esporte”, revela.
Para validar cada metro alcançado nas cidades por onde passa, o ciclista busca junto às prefeituras um documento registrando a passagem no município. Ontem, chegou a vez da Cidade Azul.
“É uma satisfação, um orgulho receber a visita do Renato em Tubarão, alguém simpático e que inspira nossos tubaronense. Desejamos saúde e força de vontade para continuar seguindo firme nesta caminhada”, incentiva Caio Tokarski, vice-prefeito de Tubarão.
É realmente em cada lugar que, segundo Renato, ele se mantém forte. “Na solidão da estrada, é complicado. Mas quando chego às cidades, o pessoal te cerca e fica admirado ouvindo o que conto”, descreve.
Bagagem
Saco de dormir, borrachas de pneu, toalha, roupas, e a lista não para por aí. Somando tudo o que Renato coloca em cima da bicicleta, dá 50kg no total. Ao falar isso, ele alerta: “Se você quiser encarar algo assim, cuidado. Existe toda uma preparação para se manter ao longo dos 100 mil quilômetros”, afirma. Diariamente, ele encara 200 quilômetros de estrada. Comparado ao treinamento do ciclismo para os Jogos Abertos, por exemplo, os atletas fazem a rota Tubarão – Criciúma – Tubarão em um treino semanal. E é bastante coisa.
Guinness Book: a busca pela autossuperação
Se realmente concluir o feito, vai conseguir atingir jovens do mundo todo, já que pode colocar seu nome no Guinness Book, livro dos recordes mundiais. E isso tem tudo para acontecer, basta superar a sua própria marca na premiação. Em 2002, venceu um americano, pedalando 30 mil quilômetros em 90h em uma bicicleta ergométrica. Contudo, não foi tarefa fácil: “Não é para qualquer um. Para você ter ideia, quebrei o fêmur em cinco pedaços em um acidente de trânsito quando estava treinando”, relembra, mostrando as cicatrizes.