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Quilombolas querem manter cultura

01/08/2023 06:00

Santa Catarina tem 4.447 quilombolas, apontou o censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eles estão distribuídos em 28 das 295 cidades catarinenses e representam 0,06% da população do Estado. Capivari de Baixo é o município com mais quilombolas em Santa Catarina, com 654 pessoas, o que representa 2,73% da população da cidade.


O censo levou em consideração as pessoas que se autoidentificam como quilombolas. A pesquisa também checou que 86,96% dos que moram em Santa Catarina não estão em territórios oficialmente delimitados para essa população. São 3.867 de 4.447 fora de áreas de quilombo.


Em Capivari de Baixo, todos vivem no mesmo bairro, Ilhotinha. É lá também, na Escola de Educação Básica Vitório Marcon, que as crianças quilombolas estudam, no ensino regular. No mesmo bairro, há ainda o EJA (Escola para Jovens e Adultos), que possui a educação voltada para a cultura quilombola.  


De acordo com Maria Lúcia Barcelos Rosa, da prefeitura de Capivari de Baixo, com base nos dados do censo será feito agora todo um trabalho intenso para questões de políticas públicas para esta população. “É uma meta da prefeita Márcia Roberg este trabalho, e já iniciamos os levantamentos detalhados para uma melhor ação”, pontua. “Já há trabalhos intensos sendo realizados com pastorais e em parceria com Tubarão, através da diocese”, cita. “Além disso, a Associação Palmares realiza ações intensivas com a comunidade quilombola”, completa Maria Lúcia.


José Carlos Mendes, presidente da Associação Palmares, diz que a comunidade é assistida pontualmente pelo governo federal. “Digo pontualmente porque ainda estamos numa fase de transição às políticas relacionadas diretamente a este contexto. Mas, ao mesmo tempo que as comunidades quilombolas e seus territórios são espaços eminentemente culturais, também são os locais onde há mais vulnerabilidade social”.


“A luta é diária e muito grande, porque as comunidades, não só na Ilhotinha, sofrem a questão da invisibilidade. Não há uma compreensão, uma atenção, um olhar que mostre a vontade de conhecer. Porque só se valoriza aquilo que se conhece. Então, este espaço cultural, que para nós tem tanto valor, para outros não tem, porque simplesmente a maioria das pessoas não conhece, não vem até a Ilhotinha”, lamenta.


Além de Capivari de Baixo, mais quatro municípios da região possuem quilombolas: Pescaria Brava (419), Garopaba (245), Imbituba (88) e Gravatal (1).


Resgate

De acordo com José, a cultura é preservada, mas o trabalho consiste muito mais em resgatar o que já foi perdido. “Ilhotinha é uma comunidade que hoje está muito próxima do espaço urbano e, ainda por cima, o município é cortado por uma rodovia federal, a BR-101. Além disso, o índice de imigração é grande e muitas pessoas de fora acabam vindo para cá. Não que a gente não receba bem as pessoas que vêm morar aqui, mas isso faz com que o espaço seja descaracterizado, com transformações gigantescas”, comenta.

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