Lindomar Tournier, de 102 anos, lança hoje seu 20º livro e se torna o escritor mais longevo em atividade no mundo
Com 102 anos de idade – sendo 69 deles em Tubarão -, Lindomar Cardoso Tournier lança hoje seu 20º livro. Com isso, ele será oficialmente reconhecido como o escritor mais longevo em atividade no mundo.
A obra, intitulada Consanguíneos – que são dois livros em um só -, será lançada hoje, às 19h, no Museu Willy Zumblick, em Tubarão. Fundador e ocupante da cadeira número 14 da Academia Tubaronense de Letras, seu Lindomar reafirma seu legado histórico na literatura com essa nova conquista.
Autodidata, usar a palavra lucidez para descrever como está seu Lindomar aos 102 anos – completados no dia do aniversário de Tubarão, em 27 de maio -, é muito pouco. Com uma conversa calma, muitas histórias de vida, uma memória impecável, ensinamentos que repassa com carinho e apenas com um pouco de cansaço nas pernas e um leve tremor nas mãos, que ele atribui, “provavelmente”, à idade, o escritor diz que a homenagem e o credenciamento como o escritor mais velho em atividade no mundo os deixam muito feliz.
Farmacêutico por vocação (trabalho que exerceu dos 10 até os 85 anos) e escritor e artista plástico por paixão, todas estas atividades ainda geram brilho nos olhos de seu Lindomar. “Comecei a trabalhar aos dez anos na farmácia de um tio. Eu sempre soube que essa era minha vocação”, lembra ele, que fez desta sua profissão por 75 anos. Abriu sua farmácia, a Santa Albertina, na rua Coronel Collaço, por volta de 1955, quando veio morar em Tubarão, e que funcionou até sua aposentadoria, aos 85 anos.
Vários dons
Foi justamente ao se “aposentar” da farmácia que os outros dons afloraram: artes plásticas e literatura. Foi nesta época que escreveu seu primeiro livro. Agora, aos 102 anos, lançando sua 20ª obra e se tornando o escritor mais longevo em atividade no mundo, seu Lindomar revela que até havia pensado em parar de escrever após este livro. “Mas as ideias afloram na minha cabeça, principalmente à noite, e não resisto. Já comecei a escrever o próximo”, conta.
O escritor diz ainda que a única dificuldade enfrentada atualmente para escrever se deve pelo leve tremor que sente nas mãos. “Como escrevo meus livros primeiro à mão, elas não estão mais tão firmes quanto antes, mas sempre se dá um jeito e, enquanto Deus permitir, seguirei escrevendo”, conclui, feliz e orgulhoso.