Orleans, cidade do Sul do Estado, foi um presente de casamento de Dom Pedro II para a filha, princesa Isabel, que iria casar com o príncipe francês Gastão de Orleans, o Conde D’Eu. Numa visita às terras, o conde determinou: “Aqui nascerá uma cidade com o nome de Orleans”.
Colonizada posteriormente por imigrantes italianos, e tendo hoje pouco mais de 23 mil habitantes, a cidade que surgiu a partir do casamento de uma princesa teve um outro, no último sábado, que também pode ser contado como uma história de conto de fadas.
Os noivos Ivone Loli, de 73 anos, e Ronei José Francisco, de 76, moravam a quase 500 km de distância. Ela em Orleans; ele, em Curitiba (PR). Conheceram-se pouco antes da pandemia de covid - e não foi pela internet, tampouco por algum aplicativo de namoro.
Filha caçula de uma família de sete irmãos, Ivone era solteira e mora num sítio desde que nasceu, no bairro Corridas, em Orleans. Os irmãos foram casando e restou somente ela para cuidar dos pais e dos trabalhos no campo. Acabou não tendo tempo para cuidar dela mesma.
Ronei nasceu em Orleans, mas foi jovem para Tubarão, atrás de emprego. Em 1974, no fim de semana da grande enchente que destruiu a cidade, mudou-se para Curitiba, onde casou, teve cinco filhos, separou e, por fim, enviuvou. Quando se deu conta, estava solitário.
“Estava aposentado, sozinho em casa, os filhos já encaminhados. Não queria ficar parado, me sentia estagnado e, numa conversa, comentei com uma prima, que mora em Orleans, que estava pensando em conhecer alguma pessoa, para um compromisso sério mesmo”.
Ivone não perdia a missa da matriz aos domingos. Ao final de uma delas, a prima de Ronei lhe abordou e, sabendo que ela era solteira, falou dos planos do primo. Ivone concordou em dar o número de telefone. Foi o máximo de tecnologia envolvida na aproximação deles.
Do telefonema ao amor à primeira vista
A partir desta ligação, Ronei convidou Ivone para se conhecerem pessoalmente. Viajou até Orleans, almoçaram num restaurante e foi amor à primeira vista. “O que mais gostei nela foi o jeito meigo e sincero”, disse emocionado ao Sul Agora, pouco antes do casamento. Passado o primeiro encontro vieram outros, até que ele decidiu pedi-la em casamento. “Com a aprovação dos meus filhos”, contou em lágrimas. “Queria fazer tudo certinho, porque por causa da pandemia acabei vindo morar aqui com ela, ajudando na lida do sítio”.
Casamento na terceira idade
“O amor é possível em qualquer idade”. Assim o padre Adson da Silva Muniz iniciou a cerimônia de casamento de Ivone e Ronei no último sábado à tarde, na igreja de São Cristóvão, no bairro Nova Orleans. Estiveram presentes os familiares, amigos e vizinhos dos noivos.
O casamento foi muito emocionante, mesmo sem as produções dos casamentos modernos. O noivo entrou acompanhado dos filhos. A noiva, dos sobrinhos. Ela vestia um vestido champanhe. O noivo usou uma gravata desta mesma cor, para combinar com o vestido dela.
Voluntários tocaram as músicas da cerimônia. “O amor sempre é possível, porque o amor não se aposenta”, completou padre Adson, referindo-se ao amor na terceira idade. Após a cerimônia, os noivos levaram os convidados para comemorar no restaurante Bela Vista.