Letícia Reis relata os desafios enfrentados desde a gestação do filho Davi
Neste fim de semana em que o Dia das Mães será celebrado em todo o país, histórias de mulheres que encontraram na maternidade uma nova forma de enxergar a vida ganham ainda mais significado.
Em Laguna, Letícia Reis viveu uma transformação profunda desde a chegada do filho Davi Reis Pereira. Ao lado do marido, Leonardo Gadiel de Oliveira Pereira, ela enfrentou uma longa jornada após descobrir, ainda durante a gestação, que o bebê tinha Trissomia 21, a Síndrome de Down, e uma cardiopatia grave.
A descoberta aconteceu durante a gravidez e mudou completamente os planos da família. Entre exames, consultas e preocupações constantes, a gestação foi marcada pela expectativa e pelo medo diante do diagnóstico do filho.
“Quando eu descobri na gestação que o Davi era portador da Trissomia 21 e tinha uma cardiopatia grave, eu confesso que meu chão se abriu. Foram dias de silêncio, choro e oração. Depois vieram os exames, as consultas com especialistas e todo um planejamento rigoroso para o parto, para garantir que ele tivesse o atendimento necessário. Eu não tive uma gestação comum. Cada exame gerava uma expectativa enorme pelo resultado”, relembra.
Segundo Letícia, o apoio da equipe médica foi essencial durante todo o processo, especialmente o acompanhamento da cardiologista pediátrica Dra. Silvia Meyer, de Florianópolis, que segue acompanhando Davi até hoje.
Mas foi no nascimento do filho que ela percebeu que sua vida jamais seria a mesma.
“Quando o Davi nasceu, nasceu junto uma mãe que não conhecia mais a palavra ‘limites’. Eu precisei lutar por ele desde o primeiro dia de vida. Precisei aprender sobre diagnósticos, exames, tratamentos, organizar tudo para garantir que ele tivesse o atendimento adequado. Para mães atípicas, muitas vezes o romantismo precisa ficar um pouco de lado. A gente vive em estado de alerta o tempo inteiro, defendendo e buscando o melhor para os nossos filhos”, conta.
Resiliência
A trajetória da família foi marcada por longos períodos de internação e momentos delicados. Ao todo, Davi permaneceu 172 dias no hospital, sendo 117 deles na UTI, além de passar por cirurgias e outras complicações graves.
“Ver meu filho tão pequeno naquele leito, cheio de aparelhos, e não poder pegá-lo no colo, foi uma das dores mais difíceis que já vivi”, relata Letícia.
Segundo ela, a fé foi fundamental para enfrentar o período.
“Quando tudo aconteceu, eu senti que Deus me revestiu de uma força sobrenatural. Além disso, recebi muito carinho e apoio de pessoas que estavam orando pelo Davi, e isso tornou a caminhada mais leve”, afirma.