Maioria dos infectados tem idades entre 20 e 29 anos, incluindo entre as gestantes
Uma infecção sexualmente transmissível (IST) que pode causar graves danos à saúde da população em geral caso infectada, especialmente de grávidas e bebês durante a gestação.
Essa é a sífilis, doença que vem sendo negligenciada pela população, pela falta de prevenção, resultando em um aumento do número de casos, ano após ano, em Santa Catarina.
De janeiro a 31 de julho deste ano, segundo a Regional de Saúde, foram registrados 424 casos de sífilis adquirida na região, destes, 73 em gestantes. Entre a população geral, a faixa etária com maior número de casos é entre 20 e 29 anos, com 128 registros, seguida pelas pessoas entre 30 e 39 anos, com 82 casos no período. Entre as gestantes, a incidência maior também é entre os 20 e 29 anos, com 39 registros; em seguida, a faixa etária de gestantes entre 15 e 19 anos é a segunda mais atingida, com 19 casos.
Na região, foram os homens que apresentaram o maior número, com 200 infectados entre janeiro e julho. As mulheres somaram 151 casos. Tubarão – maior cidade da região -, é também a que apresenta o maior número de infectados, com 126 casos, seguida por Braço do Norte (52) e Imbituba (49), incluindo aí as gestantes.
Dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) mostram que, entre os anos de 2012 e 2022, o número de notificações de sífilis adquirida, sífilis em gestantes e sífilis congênita em todo o Estado tiveram um aumento considerável. No caso da sífilis adquirida, esse número saltou de 574 casos notificados em 2012 para 15.702, em 2022; sífilis em gestantes aumentou de 322 para 3.049, no mesmo período; e os casos de sífilis congênita foram de 100 para 693.
A gerente de IST da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), a médica infectologista Regina Valim, acredita que esse aumento, além da falta de prevenção, também tenha relação com a maior sensibilização dos serviços de saúde que estão testando mais, buscando a doença na população para realização do tratamento adequado.
Prevenção ainda é o melhor tratamento
Para prevenir a doença, segundo a Dive/SC, é importante apostar na prevenção, através do uso de preservativos em todas as relações sexuais; na testagem, com a realização de testes para a detecção de ISTs frequentemente; e no tratamento, caso a pessoa venha a ser infectada.
“A camisinha continua sendo o método mais acessível e eficaz para evitar as infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis, o HIV, as hepatites virais, dentre tantas outras, mas a nossa percepção é que a população tem atualmente uma falsa sensação de segurança com relação às ISTs. Isso porque o HIV já não mata mais como matava nos anos de 1980, 1990, por exemplo. Então, acredita-se que a prevenção não é mais necessária, mas isso não é verdade, temos uma grande quantidade de ISTs que precisam ser controladas, que precisam ser prevenidas. Então, o uso do preservativo em todas as relações sexuais continua sendo fundamental”, explica a médica infectologista Regina Valim.
Nas gestantes, a indicação é que o teste seja realizado durante o pré-natal em, pelo menos, três momentos: primeiro e terceiro trimestres da gestação, no parto ou em casos de aborto. O parceiro da gestante também deve ser testado.