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Memórias guardadas através de fotografias

26/10/2022 06:00

Por volta de 1940, o Sul de Santa Catarina começava a conhecer e desfrutar dos registros do fotógrafo Gentil Reynaldo, que descreveu a história da região de Jaguaruna por meio de imagens, até 1990. Ontem, Gentil teria completado 100 anos de idade. Para marcar a data, o projeto Gentil Memória lançou a 2ª Mostra Gentil Memória - Centenário de Gentil Reynaldo, que será realizada nos dias 18, 19 e 20 de novembro, no museu de Jaguaruna.


Uma história que atravessa gerações, diante do patrimônio histórico e cultural que deixou à comunidade. Trata-se de um acervo de mais de 80 mil fotos, que revela registros exclusivos do passado da cidade natal, Jaguaruna, e dos municípios vizinhos: Tubarão, Laguna, Treze de Maio, Sangão e Morro Grande.


Gentil criou-se sempre na companhia de cinco irmãos. Juntos, na adolescência, formaram a banda “Seis Irmãos”, que abrilhantou festas e bailes na região por muitos anos. E foi em um desses eventos que o então garoto conheceu um viajante, que lhe apresentou o universo fotográfico.


Gen­til abra­çou a fo­to­gra­fia, que lhe en­can­ta­va, co­mo um ar­tis­ta que co­me­ça a ca­mi­nhar nes­te es­pa­ço tão se­le­to e im­por­tan­te. Aos 18 anos já fo­to­gra­fa­va nu­ma câ­me­ra “lam­be-lam­be” que ha­via com­pra­do com seu ir­mão, Do­min­gos. Tam­bém ti­nha uma es­cri­ta fá­cil, com uma be­lís­si­ma ca­li­gra­fia re­gis­tra­da nas car­tas que es­cre­via pa­ra sua ama­da Tar­ci­la Ana Rocha, com quem se casou em 1955. O casal teve quatro filhos: Gilson, Ênio, Maurício e Regina. Para sustentar a família, dedicou-se ainda mais aos trabalhos fotográficos, aperfeiçoando-se sempre que tinha condições.


A loja e o trabalho do fotógrafo eram na própria casa da família. Chamava-se Foto Regina, em homenagem à filha caçula. Em meados dos anos 60, levou para Jaguaruna as fotografias em cores, que fizeram grande sucesso na cidade.


Assim, sendo o pioneiro e, por muitos anos, o único fotógrafo da cidade, muitos dos acontecimentos captados pelas lentes de Gentil estariam, hoje, limitados à lembrança oral das pessoas que deles participaram. É que naquela época não havia jornal impresso, nem um canal de televisão local. As pessoas só podiam se ver nos expositores da loja do fotógrafo. “Todo domingo nós íamos ao estúdio Foto Regina para ver as fotos. Era um costume de todos os moradores do município”, relembra o aposentado Sebastião Porto.


Um legado preservado

Os anos passaram, os filhos casaram e o saudoso Gentil virou avô. Dos dez netos, um deles preservou o legado da família. O fotógrafo Guilherme Reynaldo é o diretor do projeto Gentil Memória. Graças ao processo de limpeza, catalogação e pesquisa da iniciativa, desde 2017, as fotografias de Gentil ganham novos olhares, de diferentes gerações, etnias e regiões do Brasil. “Ficava fascinado observando o talento do vô. Alguém simples, que falava só o necessário. Um fotógrafo que transcende à vida com suas fotos, que hoje fazemos o importante trabalho de conectar o povo com a própria história”, completa Guilherme.

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