O presidente Jair Bolsonaro realizará, neste domingo, em São Paulo, uma cirurgia para a correção de uma hérnia localizada na parede abdominal, junto à cicatriz da cirurgia que fez após receber uma facada. Esse será o quarto procedimento que ele fará no abdômen desde que recebeu o golpe, no ano passado, durante a campanha eleitoral, em Juiz de Fora, Minas Gerais.
Diante dessa notícia, é comum surgir alguns questionamentos sobre a ocorrência de hérnias, principalmente porque estimativas do Ministério da Saúde indicam que entre 3% e 8% dos brasileiros apresentam algum tipo de hérnia na região do abdômen.
“As hérnias são orifícios que se abrem na parede abdominal, que pode ter uma saída total ou parcial dos órgãos intra-abdominais, geralmente refletindo o enfraquecimento, o afastamento ou a ruptura da musculatura do abdômen. Os tipos mais frequentes são as epigástricas, as umbilicais e inguinais. O sintoma mais comum é o abaulamento nesses locais, que pode causar dores e, em algumas pessoas, ocorrer após uma cirurgia, chamada de hérnia incisional, que é a que acomete o presidente”, explica o cirurgião do aparelho digestivo da Clínica Pró-Vida Jaime César Gelosa Souza.
Conforme o médico, as hérnias, no geral, prejudicam a saúde ao causarem desconforto. Podem causar também o encarceramento dos órgãos intra-abdominais ou das vísceras abdominais, como o intestino, necessitando, em alguns casos, da realização urgente de cirurgia. As causas surgem, na grande maioria, após a realização de um esforço físico, de uma tosse, do levantamento de um peso, ou, ainda, na realização de uma atividade física mais intensa. Em algumas situações, pode sumir sem qualquer intervenção e, posteriormente, retornar.
A hérnia de Bolsonaro é uma incisional, que ocorre a partir da fraqueza do local onde o tecido foi anteriormente cortado.
Tratamento é cirúrgico
O tratamento para a hérnia é cirúrgico, convencional ou laparoscópico, minimamente invasivo, e a maioria das hérnias é corrigida em hospital, com alta do paciente no mesmo dia. “Durante o procedimento, é utilizada com grande frequência uma tela para reforçar o local lesionado. Tela que não é necessário que seja retirada posteriormente porque é absorvida pelo organismo”, destaca o médico Jaime César Gelosa Souza.