Obras chegaram a ser feitas entre 2015 e 2016, mas área nunca recebeu empresas
O modelo de negócio proposto entre a Engie e a gestão anterior da prefeitura de Tubarão, para a implantação de um parque industrial na área localizada ao lado da usina fotovoltaica e do aerogerador da Engie, seria completamente inviável, segundo lideranças da cidade.
As obras de aterro chegaram a ser feitas no fim de 2015 e início de 2016 em metade do terreno, que também foi recoberto com argila, em uma parceria com a prefeitura na gestão passada e a Engie. Na época, a Tractebel (atualmente, Engie) foi a responsável pelo aterro do local, enquanto a prefeitura fez a recapagem com argila utilizando as máquinas do município.
O local onde seria o parque industrial tem 56 hectares, e aproximadamente 40 hectares seriam ocupados, segundo informações da prefeitura ainda em 2015. A área deveria ser utilizada por empresas que quisessem se instalar ou se expandir em Tubarão.
Porém, de acordo com o prefeito Joares Ponticelli, já ao assumir a prefeitura, não existia nenhum contrato firmado, apenas um protocolo de intenções e, além de tudo, seria inviável não apenas economicamente como na forma como o negócio seria feito, em regime de comodato.
“Como poderíamos fechar negócio para uma área industrial onde o terreno em questão não seria do município? Que garantia daríamos para o empresário que quisesse investir? Não entendo como isso chegou a ser cogitado, porque é completamente inviável”, avalia Joares.
O prefeito ainda acrescenta que economicamente também não seria viável para o município. “No local precisaria ser feita toda a questão de infraestrutura, como pavimentação asfáltica interna da área e das vicinais, rede elétrica, de esgoto, água, enfim, seria uma fortuna que não há como o município arcar. Nunca poderíamos fazer um negócio desta forma”, reforça.
Sobre o gasto na época com a utilização de máquinas públicas, Joares Ponticelli disse que o caso está em análise na procuradoria jurídica.
Acit também vê inviabilidade
O presidente da Acit (Associação Empresarial de Tubarão), Edson Martins Antônio, também avalia como inviável a possibilidade que foi levantada há quatro anos sobre uma área industrial. “Sem contar que teremos a instalação aqui em Tubarão de um grande loteamento industrial na área da rodovia Ivane Fretta, feita pela iniciativa privada, além do outro loteamento industrial no bairro São João. O município não seria concorrente abrindo mais uma área industrial, que ainda precisaria rever questões ambientais, inclusive, entre outras intercorrências”, conclui.