Por iniciativa do Iate Clube de Laguna, a necessidade de colocar em prática o projeto de abertura da boca da barra, contribuindo para o crescimento exponencial da cidade, foi apresentada. De acordo com o comodoro do clube, Richard Lemos Bohm, “no local existe uma pedra, que atrapalha muito a entrada de navegações, tanto pesqueiras quanto para cabotagem e também recreativa, fazendo com que o porto de Laguna não se desenvolva”.
Além disso, Richard alerta ainda para o perigo, já que por conta da pedra acaba gerando uma onda, prejudicando a navegação e causando até naufrágios. “Analisando o censo de 2022, comparativamente com 2010, Laguna apresentou crescimento populacional de apenas 1%, sendo que a média brasileira é de 6%, e Imbituba registrou um aumento de 30%. Isso tem ligação direta com o porto, que alavanca a geração de empregos. Por isso, o nosso grande objetivo é retificar esta barra, fazendo com que a gente consiga trazer grandes embarcações e, consequentemente, o desenvolvimento para Laguna”, pontua.
Richard explica que já existe um projeto para a obra. “O Iate Clube, por uma iniciativa apartidária, fez uma apresentação do projeto e debateu a situação com várias autoridades políticas, empresários, pescadores, entre outros. “Na realidade, esta é uma situação que vem sendo discutida há muitos anos e é algo que precisamos resolver, porque Laguna depende desta retificação para seu crescimento, que certamente virá pelo mar”, reforça.
Um detalhe importante, segundo ele, é o escoamento das águas. Em grandes cheias, todo o escoamento vai ocorrer neste gargalo, e ali existe o que equivale a um prédio de quatro andares, que favorece o aprisionamento da água. Então, a vazão de água é muito menor hoje, e se houver a retificação, inclusive o rio Tubarão e as cidades que dependem dessa vazão serão beneficiados, evitando enchentes.
“Não é só dragar rio ou pontos específicos da lagoa Santo Antônio. O gargalo é lá na ponta, que é onde existe uma obstrução. Logicamente, deve haver a drenagem destes pontos, mas nada vai modificar se não abrir o gargalo lá na ponta. Então, é primordial fazer o projeto e a execução da retificação da barra, para favorecer também o escoamento. Além disso, vai ocorrer o aumento da salinização da água da lagoa e isso vai favorecer a entrada de mais peixes no local”, aponta.
Encontro promovido pelo Iate Clube debateu o assunto
Um encontro com autoridades do município de Laguna, pescadores, lideranças políticas regionais, estaduais e representantes de entidades federais foi realizado para a apresentação da necessidade do desassoreamento da barra de Laguna. Na ocasião, foi montada uma comissão que vai levar aos órgãos responsáveis o pedido urgente do processo de licitação para a o projeto de retificação da boca da barra.
Participaram da reunião o vereador Jean Abreu, de Tubarão; os vereadores Jaleel Farias e Deise Daiana, de Laguna; o deputado estadual Serginho Guimarães; o prefeito interino de Laguna, Iran Ramos; Tiago Bolan Frigo, secretário de Aquicultura e Pesca do Estado; Delcy Norberto Batista, superintendente federal de Pesca e Aquicultura; Dener Vieira Nascimento, secretário de Pesca e Agricultura de Laguna; Gilberto Fernandes da Silva, presidente do Sindicato de Pescadores; o capitão-tenente Reginaldo, representando o comandante Enéas, da Marinha do Brasil; o major Gilson Klein, comandante da Polícia Ambiental; e Renan Ramos, representando a SCPar Holding.
“O desassoreamento da boca da barra irá, com certeza, trazer grandes benefícios e desenvolvimento para nossa cidade. Não podemos mais continuar com esta situação”, afirma Richard.
“Eu me coloquei sempre à disposição para receber o grupo em questão na secretaria, mas ainda não houve pedido de agenda. O assunto é bastante complexo. Há mais de duas décadas ninguém fez nada de efetivo na busca de alguma solução e não serão em seis meses que vamos ter um desfecho. Estamos tratando o tema com prioridade junto à Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNPTA)/governo federal, que, em verdade, representa a parte mais importante neste processo, visto que a obra foi abandonada pela União há mais de 25 anos e, infelizmente, até hoje não se teve nenhuma continuidade ou solução”, afirma o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins.