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Fotógrafo tubaronense tem celular clonado

30/01/2020 06:00

A clonagem de números de celulares não é novidade e pode afetar significativamente a vida de quem passa pelo golpe. Esta semana, o fotógrafo Davi Nascimento, de Tubarão, foi mais uma das vítimas e teve seu WhatsApp clonado.


Ele conta que no fim da tarde de terça-feira recebeu uma ligação de São Paulo. “Como tenho clientes também por lá, atendi sem receio”, pontua. Do outro lado da linha, uma pessoa com uma conversa muito educado disse que gostaria de enviar um convite para que o fotógrafo participasse de um evento na capital paulista, de uma marca de roupas. “Ele era extremamente convincente, falando como se me conhecesse e falou até de alguns dos meus trabalhos”, conta.


Daí para ser vítima do golpe foi apenas um e-mail. Davi diz que do outro lado da linha a pessoa apenas disse que enviaria um e-mail a ele para a confirmação do convite. “Recebi o e-mail, que não vinha de nenhum endereço suspeito. Nele constava um link, que era o que me pediram para clicar para fazer a confirmação da minha presença no evento, e foi o que fiz. E foi onde todo o transtorno começou”, lamenta.


O fotógrafo tubaronense diz que, como já está acostumado a tratar com clientes por e-mail, não estranhou em nada quando foi pedido para que o convite fosse confirmado da forma como foi. “Toda a forma como fui abordado foi muito bem articulada. Nunca imaginei que seria vítima deste golpe”, afirma. “E fui descobrir que meu WhatsApp havia sido clonado porque comecei a receber muitas ligações de amigos preocupados porque estavam recebendo mensagens minhas pedindo dinheiro e falando de um jeito diferente do meu”, conta.


Assim que descobriu o golpe, Davi entrou em contato com o suporte do WhatsApp, relatando o problema, que deu um prazo de sete dias para resolver. Também já vou fazer um boletim de ocorrência. “Enquanto isso, estou sem poder usar o aplicativo, que é um dos meus instrumentos de contato com clientes”, completa.


Polícia alerta para os cuidados necessários

Pelo menos 150 casos do golpe de clonagem de aplicativos de WhatsApp já foram registrados neste ano em Santa Catarina, segundo dados da Polícia Civil. De acordo com o delegado da Central de Plantão de Polícia em Tubarão, Gabriel Luiz Marcondes, estes casos vêm tendo uma regularidade e o que se recomenda é que as pessoas não passem seus dados para desconhecidos nem acessem sites que não conheçam, mesmo que aparentem segurança. “Estes golpes vão se aperfeiçoando e vêm de várias formas, cada vez mais elaboradas. A polícia segue investigando todos os que aparecem e são registrados”, diz.


“O que alertamos também é que, quem for vítima do golpe, avise a família e os amigos, para que não passem dados ou façam depósitos. Outra forma é entrar em contato com a instituição financeira para tentar bloquear o depósito se ele já tiver sido feito”, ensina o delegado. “E sempre é importante registrar um boletim de ocorrência”, reforça.


Com a ocorrência registrada, a operadora pode ser acionada para investigar o ocorrido, não apenas para evitar problemas aos usuários, mas identificar possíveis fraudadores ou falhas no sistema.

 

Especialista ensina como se proteger

O especialista em segurança da informação Mauro Paes, colunista do DS, explica que a partir do momento em que o usuário percebe que o número foi clonado, deve imediatamente registrar um boletim de ocorrência e ir até um ponto de atendimento da operadora.


“Para evitar problemas maiores, é importante ativar em todos os aplicativos a verificação em segurança de duas etapas, procedimento que permite identificar qualquer tentativa maliciosa de acesso aos dados do usuário”, enfatiza.


Apesar de ser um procedimento complexo, Mauro explica que a clonagem do número em si precisa envolver algum colaborador de uma operadora ou o acesso à base de dados. Fora deste cenário, há possibilidades remotas de que algum equipamento consiga interceptar a comunicação e conseguir fazer a clonagem do aparelho.


Mauro enfatiza que “nenhum sistema é totalmente seguro, pois não somos perfeitos, e cabe ao usuário fazer sua parte quanto à sua segurança. A boa notícia é que a tecnologia está cada vez mais segura e ágil quanto à detecção de problemas”, finaliza.

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