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Fisiculturista já está com seu cão-guia em Tubarão

Dior, que é cão-guia, chegou a Tubarão nesta segunda-feira e agora as duas seguem no período de reconhecimento e adaptação da rotina

07/12/2023 06:00|Atualizada em 07/12/2023 15:29|Por Redação

A fisiculturista tubaronense Laura Boppré Justino, que tem deficiência visual, já está com sua nova melhor amiga e fiel escudeira: Dior, que é cão-guia, chegou a Tubarão nesta segunda-feira e agora as duas seguem no período de reconhecimento e adaptação da rotina. 

“Eu já havia recebido as instruções sobre a chegada dela. O instrutor me entregou um punhado de ração e ela ficou comigo no meu quarto, para que pudéssemos interagir. Desde então, estamos atadas, e onde eu vou ela vai comigo, seja dentro de casa ou na rua. Ela dorme ao meu lado. Tudo para criar um vínculo emocional”, conta.

Laura diz que esta primeira fase está sendo muito intensa emocionalmente, pois a rotina está tendo uma alteração completa. “Também estamos fazendo treinamento intensivo na rua diariamente, inclusive em locais de grande movimento, com obstáculos, e também lugares fechados, como o shopping, bancos, mercado, academia. Tudo para que ela crie uma memorização de como é minha rotina, os lugares onde vou. Na academia, o proprietário já separou até um local especial para a Dior ficar enquanto eu treinar”, afirma.

“Esta nova fase está sendo realmente intensa, de grande emoção, de me ver com mais autonomia. É muito aprendizado, informação, técnica. Além disso, estou encantada por ela”, pontua Laura.

Por ser a primeira vez que a cidade tem a presença de um cão-guia, Laura diz que isso está causando curiosidade das pessoas que as encontram.

“Muitas vezes, as pessoas não sabem como agir, porque no caso da Dior, quando ela está trabalhando, não é possível que haja interação com ela, pois pode causar uma distração e ocasionar um problema na minha condução”, explica. “Eu entendo que ela encanta, pois tem uma carinha dócil, eu fico constrangida, porque sei que é difícil, mas é preciso que as pessoas entendam que naquele momento não é possível interagir com ela como se fosse um animalzinho de estimação como qualquer outro”, completa.

“Ela é treinada, e entende que quando está com o equipamento, está trabalhando. Então, se comporta de uma maneira totalmente diferente de quando está apenas com a guia de condução ou solta. Por isso, quero que as pessoas saibam que, quando nos encontrarem, podem conversar comigo, mas não podem interagir com ela”, reforça Laura.

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Lei Federal

Existe uma lei federal que garante a entrada do cão-guia em lugares públicos e privados. Laura diz que ainda há um pouco de falta de conhecimento a respeito disso, “tanto que neste período já houve dois episódios em que não queriam nos deixar entrar porque estava com a Dior. Mas temos, inclusive, a documentação que dá o livre acesso a estes locais”, ressalta.


A história da perda da visão à ligação que informou que Laura iria ganhar um cão-guia

Laura Bopreé Justino, de 52 anos, começou a perder a visão de um dos olhos aos 26 anos. Aos 46, ela perdeu quase toda a visão do outro olho. Mas nem por isso deixou se abater, e o fisiculturismo a levou a muitos pódios. No início do ano passado, mais um revés. Ela sofreu uma queda em casa, fraturou o pulso direito, passou por cirurgias, mas perdeu muito o movimento dele.

“Eu havia me inscrito há cerca de três anos para conseguir um cão-guia, já tinha até me esquecido, por se tratar de algo difícil”, lembra.

Em novembro, uma equipe do Instituto Adimax, responsável pelo projeto de cão-guia, entrou em contato com ela para informar que ela iria receber a Dior.

“Quando recebi a ligação, chorei de emoção. Eu me senti premiada, um grande presente de Deus”, revela.

“Tivemos uma afinidade instantânea, uma conexão incrível mesmo. E, então, eles perceberam que tanto eu quanto ela estávamos aptas uma para a outra”, comemora.

Segundo o Instituto Adimax, de São Paulo, o Brasil possui, aproximadamente, sete milhões de pessoas com alguma deficiência visual (IBGE) e menos de 200 cães-guias em atividade.

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