Dos 52 imóveis atingidos, moradores de 46 recebem aluguel social através da prefeitura
Desde maio do ano passado, quando uma enchente atingiu Tubarão, 52 imóveis foram interditados pela Defesa Civil e os moradores precisaram sair de suas casas no Km 60. Destes, 46 recebem, desde junho de 2022, o aluguel social pago pela prefeitura. Seis não solicitaram. Os aluguéis variam de R$ 500 a R$ 700, dependendo do número de membros da família.
Mas, até agora, a reconstrução das casas atingidas ou a construção de novas residências, conforme divulgado na época e que receberia recursos do governo do Estado, não foi efetivada.
O problema passa por diversos setores, o principal, o Estado, que havia se comprometido a repassar R$ 5 milhões para o município para as reconstruções. No entanto, com a mudança de governo no início deste ano, o repasse não veio. De acordo com o secretário da Casa Civil, Estêner Soratto da Silva Júnior, o problema começou ainda na gestão do então governador Carlos Moisés, que cancelou este e outros repasses no apagar das luzes de seu governo, em 28 de dezembro do ano passado.
“Agora precisamos rever todas estas questões. De antemão, afirmo que o governador Jorginho Mello está sensível a esta situação e se dispõe a fazer o que for, dentro das possibilidades. Estamos em contato com a prefeitura aguardando a posição oficial do que é necessário para que possamos ver o que poderá ser feito em relação a repasse de recursos”, explica.|
Da parte da prefeitura, o processo está em andamento. Já foram feitas as avaliações das áreas atingidas. Das 52 residências, em torno da metade poderá voltar para o mesmo local, mas será necessário que o município faça toda a parte de infraestrutura do terreno e a reconstrução dos imóveis, de forma que possam ser habitados com segurança, sem risco de serem atingidas por uma nova enchente, caso ocorra.
Às demais casas, não há mais condições de retorno, pois até mesmo os terrenos onde estavam foram levados pelas águas, já que muitas estavam em locais de risco antes mesmo das cheias. Para este caso, segundo o diretor-presidente da Fundação de Desenvolvimento Social, Deka May, será necessário que a prefeitura faça uma licitação para a compra de lotes, que ainda não se sabe onde poderão estar localizados.
“A prefeitura está trabalhando com todas estas questões, para que os moradores atingidos possam ou voltar para suas casas ou terem novas residências. Mas também dependemos de repasse do Estado e até mesmo de ir em busca de recursos do próprio município para a compra destes terrenos”, pontua Deka.
O prefeito interino de Tubarão, Gelson Bento, a Procuradoria Jurídica, a Defesa Civil e a Fundação de Desenvolvimento Social buscam uma solução para o problema, mas, até agora, nenhuma solução plausível foi encontrada. Hoje, uma nova reunião será realizada para tratar sobre o assunto na prefeitura.
Moradores reclamam
A costureira Marília Franco Zanzi, de 47 anos, perdeu as duas casas que possuía na beira-rio. Com isso, ela e o marido, que é vigilante, precisaram se mudar e, desde então, estão na casa de parentes, em Jaguaruna. “Morava desde 1996 no mesmo local e agora ficamos sem nada. O valor do aluguel social que recebemos não cobre o valor da casa que alugamos para deixar guardadas nossas coisas, já que hoje ocupamos apenas um quarto e um banheiro na casa de minha família. Nossa rotina mudou completamente e não tive nem condições de continuar trabalhando, já que sou autônoma e não tenho um espaço próprio. Mas o pior de tudo é o descaso e a demora em resolver a situação. Ninguém nos dá uma resposta plausível, aliás, nem nos dão mais respostas. Já estou até doente”, diz.