Após mobilizações, na tarde de quinta-feira estradas que registravam bloqueios e manifestações por conta da paralisação dos caminhoneiros foram liberadas. Desde terça-feira, protestos ocorreram em todo o país. Jaguaruna e Imbituba chegaram a ter o tráfego bloqueado na quarta-feira.
Nas manifestações, pneus chegaram a ser queimados e manifestantes invadiram trechos da rodovia BR-101. Em Gravatal, no trevo de acesso da cidade, manifestantes também chegaram, por alguns momentos, a bloquear a passagem de caminhões. Na maioria dos locais, apenas carros pequenos, veículos de emergência e cargas de alimentos perecíveis tiveram o trânsito liberado pelos manifestantes ao longo da mobilização.
Até o fechamento desta edição, alguns motoristas ainda se concentravam tanto em Gravatal, como em dois pontos de Imbituba, ambos próximos a postos de gasolina. Na malha rodoviária federal, não havia mais pontos de interdição de pistas.
As liberações e o recuo dos manifestantes foi ganhando força depois que o presidente Jair Bolsonaro gravou um áudio pedindo aos caminhoneiros que liberassem as estradas do país. Na gravação, Bolsonaro dizia que a ação “atrapalha a economia” e “prejudica todo mundo, em especial, os mais pobres”.
Mobilização
As manifestações eram em favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e incluíam pautas antidemocráticas, com ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso. Além disso, circularam vídeos em que caminhoneiros protestavam pela redução dos valores dos combustíveis.
Estado passa a adotar medidas emergenciais
Na manhã de quinta-feira, antes de iniciarem as liberações das rodovias, o governo de Santa Catarina publicou um decreto que estabelecia a garantia da prioridade no abastecimento de veículos utilizados em atividades de assistência médica e hospitalar, com ambulâncias e veículos com carga sanitária, especialmente de vacinas contra a covid-19. Isso porque muitas cidades chegaram a registrar falta de combustível (leia a seguir na página 5).
O governo estadual também fez uma reunião com as forças de segurança para definir ações emergenciais. O objetivo era restabelecer a normalidade nas rodovias e a livre circulação de pessoas, bens e insumos em todo o Estado.
“Nós respeitamos a livre manifestação de pensamento, desde que não se extrapole os limites ao interferir negativamente na saúde dos catarinenses” afirma o governador.
MP buscará por responsáveis de atos
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) irá buscar pessoas e/ou empresas que lideram as manifestações dos caminhoneiros.
O procurador-geral de Justiça, Fernando da Silva Comin, informa que a atuação para desmobilizar essas células ocorrerá de várias formas e garantiu que tanto “o Ministério Público Estadual quanto o Ministério Público Federal irão atuar de maneira a alcançar a responsabilização pessoal dos envolvidos nesses atos, bem como das próprias pessoas jurídicas que estão por trás desse movimento”.
“Eu coloco à disposição do Estado, e de todos nós unidos aqui, essa estrutura que envolve os promotores de Justiça nas regionais para, eventualmente, agirmos de maneira pontual, tendo em vista que não há uma liderança definida no movimento. Então, cada negociação, cada processo irá se desenvolver com suas particularidades regionais”, explica o procurador-geral de Justiça.
Comin também destacou a atuação rápida do governo sobre a crise.