Artigo
Dissemos no texto anterior que estudantes de baixo nível socioeconômico, com aprendizagem e atitudes inadequadas, têm dificuldades para acompanhar as aulas, prosseguir nos estudos e, consequentemente, conquistar emprego e renda melhores.
Com baixa qualificação e baixa renda, não contribuem para melhorar a produtividade e o consumo do país (isso dificulta o crescimento da economia) e precisam das ajudas do governo (R$ 441 bilhões, em 2025), bancadas pelos impostos (cada brasileiro destina 5 dos 12 salários anuais para impostos). Eles vão reproduzir o ciclo da pobreza e suas mazelas e contribuir para manter a economia do país estagnada.
No entanto, quando estes estudantes de baixo nível socioeconômico têm aprendizado e atitudes adequadas, desde a fase pré-natal (James Heckman, Nobel de Economia no ano 2000), acompanham as aulas e prosseguem nos estudos com mais facilidade (e superados fatores extraescolares de evasão, como necessidade de trabalhar e gravidez precoce), conquistam empregos e renda melhores.
Com qualificação e renda altas:
a) Contribuem para melhorar a produtividade e o consumo do país (o que impulsiona a economia, principalmente, nestes tempos de inteligência artificial) e, em vez de precisarem dos serviços públicos e das ajudas do governo (cujos custos bilionários foram acima quantificados), bancadas pelos escorchantes impostos, contribuem com a coletividade ao pagarem mais impostos.
b) Deixam de ser potenciais vítimas ou autores da violência. São menos encarcerados, menos assassinados e menos enganados, principalmente pelas campanhas de desinformação. A sociedade ganha segurança, não perde investimentos e mão de obra e a democracia ganha estabilidade.
c) Em vez de reproduzirem, rompem, definitivamente, o ciclo da pobreza ao oferecerem aos filhos, em casa e na escola, melhores oportunidades de aprendizagem cognitiva (capacidade de resolver problemas, de se expressar bem, de dominar uma língua estrangeira) e socioemocional (capacidade de cálculo prospectivo, de aguentar frustrações, de concentração e persistência).
Significa que é possível transformar estas pessoas que precisam das bilionárias ajudas do governo, bancadas pelos exorbitantes impostos, em pessoas que podem ajudar.
Isso aumenta a poupança dos brasileiros e do Brasil, que poderá investir mais nas áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura, tecnologia e inovação. Tais investimentos, com instituições fortes, ambientes favoráveis para os negócios e estabilidade macroeconômica, constituem, segundo Bruno Funchal (16/09/2025), o melhor plano para desenvolver o país. E, acrescenta-se, o melhor plano educacional, econômico, social, humanitário e preventivo de segurança. É a principal revolução que o país precisa fazer.
Para isso, basta investir mais na Educação? Como mencionado, o Brasil investe (4,3% do PIB), mais do que a média dos países ricos da OCDE (3,6%), de acordo com o relatório Education at a Glance 2025, mas os estudantes brasileiros permanecem entre os piores do mundo, no Pisa, PIRLS, TIMSS e Teste de Criatividade.
Significa, como mencionado, que é preciso ir além do novo Plano Nacional de Educação (2026-2036). É preciso reescrever a escola.