Jornalista Henrique Bueno falou com exclusividade ao DS sobre a situação da comitiva
Integrante da comitiva que saiu da região e participou dos atos em Brasília, o jornalista tubaronense Henrique Bueno conversou ontem com a equipe do DS, por telefone. Ele falou sobre as prisões, a situação do grupo e revelou que aguardam manifestações de apoio nos próximos dias.
No domingo, Henrique chegou a fazer uma live festejando ter chegado “ao topo” - a cúpula do prédio do Congresso Nacional. Ontem, ele confirmou que, do grupo que viajou da região nos ônibus, cinco pessoas chegaram a ser detidas. “Eu consegui libertar três. Duas acabaram indo para ao Presídio da Papuda, a Camila e o Joel”, afirma. Camila Mendonça é empresária e Joel Borges Corrêa é caminhoneiro
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Ao ser questionado sobre onde o grupo está atualmente, Henrique preferiu manter o local em sigilo, mas afirmou que a grande maioria saiu da “zona de conflito”. Na versão dele, a culpa pelos atos de vandalismo e terrorismo foram de pessoas infiltradas, que não faziam parte do grupo. “Em manifestações assim, eles dão drogas para infiltrados causarem baderna. Esses infiltrados já estavam lá dentro do STF”, argumenta.
A Redação DS rebateu, lembrando a Henrique vídeos de bolsonaristas participando da destruição, como o da própria tubaronense Fátima Mendonça, de 67 anos. “Quando há movimentos grandes, se perde a identidade. A orientação sempre foi de manifestações pacíficas, com palavras de Deus. Nunca houve vandalismo. As pessoas se deixaram levar pela euforia do momento. Pessoas como a dona Fátima se deixaram levar pelo impulso. Mas quando ela chegou lá, já tinham quebrado tudo”, aponta.
As imagens de Fátima estão entre as que mais viralizaram. Ela usou palavras chulas em uma gravação para dizer que defecou dentro das dependências do STF e concluiu ainda dizendo: “vamos pra guerra”. “É guerra. Vou pegar o Xandão, agora”, completa, em referência ao ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Financiamento e novas manifestações
O jornalista tubaronense Henrique Bueno também foi perguntado sobre a organização e o financiamento da viagem. “O movimento não tem líderes. Foi tudo organizado de última hora. Ventilaram essa possibilidade, em frente ao Quartel de Tubarão, e a adesão foi instantânea. Os ônibus não tiveram patrocínio de empresários. As pessoas pagaram com o seu dinheiro e com a colaboração de amigos e familiares. Foram ações individuais e solidárias”, explica.
O grupo, que permanece em local “incerto”, não tem previsão para voltar para casa e aguarda novas manifestações para sair de onde está. “Estamos aguardando a manifestação de caminhoneiros e do agro. Isso deve ocorrer até o fim de semana. Os generais tiraram o corpo fora. A esperança está nos comandantes dos batalhões, os coronéis estão descontentes com a situação”, frisa Henrique.
Empresária presa aguarda audiência
A empresária tubaronense Camila Mendonça Marques consta na lista de presos divulgada pelo governo do Distrito Federal e também teve o nome confirmado pelo jornalista Henrique Bueno. Ela está entre as mais de 270 pessoas que foram capturadas após os ataques terroristas ocorridos na Praça dos Três Poderes, no domingo, em Brasília.
De acordo com o advogado de defesa de Camila, Henrique Falchetti, a tubaronense segue detida. “Estamos aguardando a audiência de custódia. Ainda não há data para que isso ocorra, mas esperamos que seja em breve. O contato com a Camila foi apenas através dos servidores que trabalham no caso”, diz o advogado.
Henrique acredita que Camila poderá ter liberdade provisória. “Talvez ela fique com restrições, como não sair da comarca. Estamos confiantes em sua soltura”, antecipa o advogado.
A tubaronense foi presa e levada junto aos demais para o Centro de Detenção Provisória 2, na Papuda.