Na sala de aula, em meio à maioria da turma formada por homens, três jovens se destacam: Anna Júlia, Gabrieli e Julia escolheram o curso técnico em Mecânica para estudar e se profissionalizar.
As três são as primeiras alunas do curso de Mecânica do Cedup Diomício Freitas, em Tubarão, e estão no segundo ano. Numa época em que tanto se discute o que deve ser feito por homens e por mulheres, as três adolescentes mostram que isso não atrapalha, em nada, a busca por seus sonhos e desejos profissionais.
Para Anna Júlia Domingos Sebastião, de 16 anos, a escolha se deu com base no sonho. “Quero entrar na Aeronáutica, e pensei que, com um diploma na área de Mecânica, seria mais fácil conseguir realizá-lo”, diz.
Para ela, estudar em meio aos rapazes, em um curso predominado por eles, é supertranquilo. “Eles sempre me respeitaram em sala, nunca disseram que eu não ia conseguir fazer algo por ser ‘mais frágil’ ou algo do gênero. Muito pelo contrário, sempre tive muito apoio deles”, conta Anna Júlia.
Gabrieli Ribeiro Trajano, também de 16 anos, escolheu Mecânica pela boa empregabilidade e por curiosidade de entender como as coisas funcionam. “Além disso, com esse curso, terei uma base da faculdade que quero seguir. Às vezes, admito, é meio estranho estudar junto a tantos rapazes, mas é tranquilo, e temos uma boa convivência. Embora não queira seguir algumas áreas apresentadas pelo curso, é sempre bom ter os conhecimentos necessários”, diz a jovem.
Já Julia Machado de Souza, também de 16, afirma que a escolha partiu da admiração e orgulho do pai. “Foi ele que me levou a escolher. Mas também gosto de estar envolvida, estar mexendo, questionando. Adoro estudar Mecânica, é gratificante, pois aprendo algo novo todos os dias. E isso me fascina, faz com que eu queira correr atrás dos meus objetivos”, relata Julia.
Segundo ela, não existe diferença entre meninas e meninos. “No curso, ao lado dos colegas homens, não existe frescura, existe sinceridade. Fizemos as mesmas atividades, as mesmas coisas”, admite.
“Além disso, nós só temos a agradecer ao Cedup e aos professores, que apoiam a gente em tudo. Eles pegam no nosso pé para não desistirmos e irmos em busca dos nossos sonhos. Dizem que, se formos pelos outros, nunca vamos alcançar nossos objetivos”, acrescenta Julia, em nome das três.
Tatiana Dornelles