Marina de Albuquerque
Jornalista
Acredito que devo ter aparência de quem resolve as coisas com tranquilidade e praticidade. Muitas vezes, acontece de a atendente do guichê de transportes rodoviários, onde vende passagens de ônibus, me oferecer de forma veemente um certo acento, no qual ela aposta todas as suas fichas, me vendendo o melhor lugar. Eu aceito sem reclamar, até que gosto de ser surpreendida, tenho o costume de não discutir muito com o que me vem, ainda mais com tanta disposição.
Enfim, o destino me presenteia e não dá outra! Quando vou verificar, é o acento de saída de emergência. Alguma força estranha me leva a ele. Não reclamo, inclusive, me sinto incumbida da missão, no caso as razões se chocam e se combinam, mesmo que talvez minha escolha fosse não ser a responsável por este escape. De qualquer forma, deposito minha energia em desejar profundamente que a viagem corra bem, e como uma guarda da porta, que ninguém quer guardar, torço com todas as minhas forças para que ela não seja aberta.
Por fim, chego à conclusão: sou perfeita para o trabalho e o assumo de bom grado. Desejando, que tenhamos sempre uma boa viagem nesta vida, mesmo que ela venha cheia de responsabilidades, pois traz com ela aprendizado e boas histórias para contar.