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Crônica: A grande jornada

03/03/2023 06:00

Marina de Albuquerque

Jornalista


O mundo é muito diverso. E o ser humano se difere por várias características. Algo que me ative a observar é o quanto uma pessoa gosta de ser observada, de receber atenção, enquanto outra, pelo contrário, gosta da discrição, de ficar sem esses olhados e sem receber muito atenção de outras pessoas.


As personalidades são muitas. Algumas gostam de se atentar à vida dos outros, enquanto outra podem não querer se envolver ou se intrometerem na vida alheia.


Por exemplo, eu costumo ser mais discreta, do tipo que não se mete e também fica mais quieta, sem dividir detalhes da vida pessoal.


Contudo, pretendo compartilhar com os leitores algumas peripécias, peculiares, que acometem a vida de um ser humano, como eu, e que merecem ser contadas.


Quando eu morava no Nordeste, tive um experiência engraçada. Lá, o pessoal tem o costume de se envolver muito na vida um do outro, e quando você tem um filho isso aumenta 100%. A primeira vez que saí na rua com meu filho, comecei a observar que as pessoas me conheciam em peso, naquele momento, todo mundo da cidade passou a ser íntima minha.


Uma senhora me parou primeiro: ‘’menina, não esquece de sempre calçar as chinelas nele, olha esse sol forte, não anda com ele essa hora do dia”. Já uma outra, “ói, ói esse menino, coloca ele no chão pra andar”, referindo-se ao fato de eu carregá-lo quase sempre no colo.


Muito interessante, pois naquela região não é só uma questão de gostar de falar ou se intrometer, mas sim de se sentir responsável por todas as crianças que nascem. Aos poucos, fui entendendo e tendo respeito por isso. Mas até ter este discernimento, confesso que me sentia um tanto invadida e confusa.


Quando você recebe um filho, você entra automaticamente em uma sociedade paralela, e ninguém fala sobre isso, ou te avisa que isso vai acontecer. De repente, você se vê inserido nela.


Ser mãe, ainda mais solo, é muito desafiador, você cuida de um ser humano, dá amor, mas também passa a entender melhor como funciona a sociedade, suas regras, e tudo é levado em consideração. Você precisa estar responsável pela maneira que seu filho irá se portar no mundo. E cada idade é diferente da outra, você compreende que várias áreas, da ciência, por exemplo, como a psicologia, farmacologia, nutrição, medicina, são conhecimentos imprescindíveis.


Certa vez, uma sábia pedagoga disse que é preciso estudar para ser mãe/pai, e é uma verdade, garanto. Não basta dar amor, que para mim ainda é o item principal.


O ser humano é muito complexo e temos nas mãos este grande tesouro, que pode ser passado para futuras gerações, como uma parte exemplar da história, de que pelo menos tentamos cumprir nosso papel e contribuímos com a evolução humana, avançando nos cuidados com a conduta pessoal e daqueles a qual fomos designados a sermos responsáveis.

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